Sou tiozão mas eu me divirto – parte 1
Um personagem que todos nós conhecemos ganha uma participação ainda mais importante na noite de ano novo. Trata-se do tiozão. Aquele barrigudo de sunga. O primeiro a acordar (com o próprio ronco) e logo vai à praia. Quando as esposas chegam, os tiozões já consumiram batidas de maracujá, cinco latas de cerveja, e duas porções de porquinho – aquele peixe “nobre” que fica uma delicia empanado e ensopado de limão. Aliás, mexer com limão embaixo do sol é uma idéia e tanto, assim como tantas outras do tiozão.
Lá pelas duas da tarde, o tiozão já está mais vermelho do que o camarão que acaba de comer. Tem areia enfiada até no fígado, já entrou no mar quatorze vezes para aliviar as vinte latinhas de kaiser e pra piorar, suou que nem um porco. Isso fez com que o protetor passado por sua esposa – depois que viu a melanina do marido atingir seu ápice – escorregar-se até seus olhos. O resultado é praticamente monstruoso; basta imaginar a cena. Peludo, suado, barrigudo, areia colada no suor, manchas feitas pelo limão, queimado como um pimentão e olhos vermelhos, de álcool e protetor. É essa figura aterradora, sentado no chão, que encara a sobrinha ninfeta; as esposas sempre notam o olhar do tiozão.
É claro que a ninfeta também nota. E gosta. Mas não é disso que estamos falando agora. O Reveillon acaba de passar e como disse antes: o tiozão tem um papel importante nessa data. Além de abrir o champagne e derrubar metade do líquido no chão, é ele quem cuida dos fogos de artifício.
Acontece que o tiozão começou seu dia cedo, como já dissemos. Fez tudo aquilo na praia e foi almoçar lá pelas cinco da tarde. Dia de churrasco. Pra quê?! Ficou ainda mais bêbado e porco. Nessa hora resolveu ir para a piscina. Sua verdadeira intenção era refrescar-se e curtir a paisagem; a ninfeta e suas amigas já estão lá. Secou-se no sol – de camarão já passou ao status de lagosta – e voltou para casa ao ser chamado por sua esposa, para jogar um baralhinho. Jogou buraco sem a menor noção, mal conseguiu distinguir os naipes. Ao fim da partida, resolveu tirar uma soneca, afinal é véspera de ano novo e precisava estar inteiro mais à noite. Nesse exato instante, seu vizinho (outro tiozão) o chamou para uma partida de truco. O jogo preferido do tiozões. E truco só funciona com mais cerveja. Resumo da ópera: quase caiu ao tomar banho, se empanturrou de chester e tender, bebeu alguns cálices de pró-seco e eis que chegou perto da meia-noite.
Após desperdiçar metade do Chandon, ele resolve disparar seus fogos de artifício. Dez, nove, oito, sete... já acendeu o isqueiro... seis, cinco, quatro... um outro tiozão o ajuda, iluminando com uma lanterna... três, dois... a pólvora já está pegando e se aproximando do cano... UM! Pow!!!!! Algo dá errado e a explosão ocorre na mão e cara do tiozão. Todos correm e se desesperam. O coitado se atira no chão – ou cai jogado pela explosão, tanto faz. “Tá tudo bem? Machucou?”. Frases e mais frases do tipo são ouvidas. Nem mesmo o tiozão sabe dizer se está bem ou não. Sua cara está preta, cheia de fuligem e pólvora. Parece o coiote, quando suas armadilhas ACME são revertidas pelo papa-léguas. Ele cospe e passa nervosamente as mãos pela face. Por sorte, segurava no cano de baixo – uma segurança a mais, caso esse tipo de acidente aconteça. Logo a família toda ri, e tira sarro do tiozão, principalmente a ninfeta. O susto e a adrenalina foram tamanhos que o pobre homem fica sóbrio instantaneamente. Larga tudo, deixa o champagne, faz cara de bebê-chorão e volta pra casa; nem vai pular as sete ondas. Pelo menos tem lentilha sobrando na mesa da sala. Definitivamente esses fogos de artifício deveriam conter um aviso gigantesco, maior do que todos os outros, dizendo: “manter longe do alcance de tiozões”.
Um personagem que todos nós conhecemos ganha uma participação ainda mais importante na noite de ano novo. Trata-se do tiozão. Aquele barrigudo de sunga. O primeiro a acordar (com o próprio ronco) e logo vai à praia. Quando as esposas chegam, os tiozões já consumiram batidas de maracujá, cinco latas de cerveja, e duas porções de porquinho – aquele peixe “nobre” que fica uma delicia empanado e ensopado de limão. Aliás, mexer com limão embaixo do sol é uma idéia e tanto, assim como tantas outras do tiozão.
Lá pelas duas da tarde, o tiozão já está mais vermelho do que o camarão que acaba de comer. Tem areia enfiada até no fígado, já entrou no mar quatorze vezes para aliviar as vinte latinhas de kaiser e pra piorar, suou que nem um porco. Isso fez com que o protetor passado por sua esposa – depois que viu a melanina do marido atingir seu ápice – escorregar-se até seus olhos. O resultado é praticamente monstruoso; basta imaginar a cena. Peludo, suado, barrigudo, areia colada no suor, manchas feitas pelo limão, queimado como um pimentão e olhos vermelhos, de álcool e protetor. É essa figura aterradora, sentado no chão, que encara a sobrinha ninfeta; as esposas sempre notam o olhar do tiozão.
É claro que a ninfeta também nota. E gosta. Mas não é disso que estamos falando agora. O Reveillon acaba de passar e como disse antes: o tiozão tem um papel importante nessa data. Além de abrir o champagne e derrubar metade do líquido no chão, é ele quem cuida dos fogos de artifício.
Acontece que o tiozão começou seu dia cedo, como já dissemos. Fez tudo aquilo na praia e foi almoçar lá pelas cinco da tarde. Dia de churrasco. Pra quê?! Ficou ainda mais bêbado e porco. Nessa hora resolveu ir para a piscina. Sua verdadeira intenção era refrescar-se e curtir a paisagem; a ninfeta e suas amigas já estão lá. Secou-se no sol – de camarão já passou ao status de lagosta – e voltou para casa ao ser chamado por sua esposa, para jogar um baralhinho. Jogou buraco sem a menor noção, mal conseguiu distinguir os naipes. Ao fim da partida, resolveu tirar uma soneca, afinal é véspera de ano novo e precisava estar inteiro mais à noite. Nesse exato instante, seu vizinho (outro tiozão) o chamou para uma partida de truco. O jogo preferido do tiozões. E truco só funciona com mais cerveja. Resumo da ópera: quase caiu ao tomar banho, se empanturrou de chester e tender, bebeu alguns cálices de pró-seco e eis que chegou perto da meia-noite.
Após desperdiçar metade do Chandon, ele resolve disparar seus fogos de artifício. Dez, nove, oito, sete... já acendeu o isqueiro... seis, cinco, quatro... um outro tiozão o ajuda, iluminando com uma lanterna... três, dois... a pólvora já está pegando e se aproximando do cano... UM! Pow!!!!! Algo dá errado e a explosão ocorre na mão e cara do tiozão. Todos correm e se desesperam. O coitado se atira no chão – ou cai jogado pela explosão, tanto faz. “Tá tudo bem? Machucou?”. Frases e mais frases do tipo são ouvidas. Nem mesmo o tiozão sabe dizer se está bem ou não. Sua cara está preta, cheia de fuligem e pólvora. Parece o coiote, quando suas armadilhas ACME são revertidas pelo papa-léguas. Ele cospe e passa nervosamente as mãos pela face. Por sorte, segurava no cano de baixo – uma segurança a mais, caso esse tipo de acidente aconteça. Logo a família toda ri, e tira sarro do tiozão, principalmente a ninfeta. O susto e a adrenalina foram tamanhos que o pobre homem fica sóbrio instantaneamente. Larga tudo, deixa o champagne, faz cara de bebê-chorão e volta pra casa; nem vai pular as sete ondas. Pelo menos tem lentilha sobrando na mesa da sala. Definitivamente esses fogos de artifício deveriam conter um aviso gigantesco, maior do que todos os outros, dizendo: “manter longe do alcance de tiozões”.
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