Pular para o conteúdo principal
É quibe. É quibe. É hora. É hora. Rá-tim-bum!

Quinta-feira, 18:30hs. Dia e horário ideais para festa de criança em buffet infantil. Sem presente não entra. O gigante de terno preto está na porta para garantir os sorrisos do pequeno burguês. É claro que o tiozão não comprou nada. Nem sequer tinha conhecimento do aniversário. Por pouco não foi para um happy hour. Ao chegar em casa, a esposa com os filhos já o esperava de presente na mão “Nem tranca a porta. Dá meia volta e vamos pra festa do Alfredinho”. “Espera um pouco. Só vou dar uma cagadinha”.


A primeira coisa que o tiozão faz no buffet é perguntar pelo banheiro. Sua esposa o apressara em casa e o coitado não terminou o serviço. No caminho dos sanitários, dá tempo de um mini-hotdog, uma pipoquinha e um algodão doce. O palito deste é jogado no lixinho da “casinha”. O caminho de volta é quase igual. Trocando apenas o hotdog por carne louca. Senta-se na mesa e chama o garçom. Tiozão é um cara esperto e gosta de ser bem servido; seu copo nunca está vazio. Já o prato de salgadinhos... podemos dizer que o garçom não é tão rápido quanto o tiozão. O fato é que, sendo esperto, ele “discretamente” coloca uma nota de vinte no bolso do garçom. É batata! Frita! E coxinhas, quibes, bolinhas de queijo, empadinhas de palmito com uma azeitona encaroçada bem no meio, risoles etc.


Muitas cervejas depois, o tiozão começa a se aproximar da idade mental do aniversariante e amiguinhos. Como tal, resolve brincar com eles. Não pode passar uma criança, que o infeliz pega pelo braço, aperta a bochecha – daqueles apertões que faria até o segurança gigante chorar – e despenteia seu cabelo, num ato de puro carinho. Outras cervejas a mais e o tiozão se transforma em um colega de Alfredinho. Nessa hora resolve entrar na piscina de bolinhas. Entrar não. Mergulhar. Em seu pulo alucinado – antes que o monitor do buffet alertasse a idade máxima do brinquedo – metade das bolinhas voam pra fora, junto com duas ou três crianças. As outras ele esmaga. Bolas e crianças.


Eis que chega a hora do parabéns. Tiozão bate palmas como um louco. Canta efusivamente. Obviamente é ele quem puxa o “E o Alfredinho nada? Então como é que é?!”. Os tiozões são treinados em uma academia de tiozões, e uma das provas é justamente testar sua velocidade em ser o cara que grita essa parte da música. Por essa razão, em algumas festas ocorrem casos em que mais de uma pessoa grita ao mesmo tempo. Pode ter certeza: são os tiozões.


O bolo é servido e a mãe de Alfredinho dá autorização para pegar os docinhos. De um terço deles só sobrou a forminha. Advinha de quem é a culpa?... Com a maior cara de pau do mundo, tiozão se serve de um brigadeiro e um cajuzinho. “Estou de dieta”, diz. “Pelo tamanho do naco de bolo e da sua cintura, não parece”, provoca um tiozão amigo dele. “Sabe como é, né? Tô com mais barriga e com menas bunda! Entendeu? Comenas bunda! Hahaha”.


Fim de festa é sempre igual. Aquela zona instaurada, pessoas se despedindo, algumas crianças apagam nos sofás etc. É hora do tour do tiozão. Passeando por todas as mesas vazias, nosso querido tiozão vai à caça dos salgadinhos gelados remanescentes – após perguntar dez vezes para o garçom, finalmente ele aceitara que a cozinha estava fechada. Todos que encontra, ele come; sem dó. A esposa percebe que só sobraram eles e a família de Alfredinho (que nesse momento olha fixamente pa
ra a grande cesta de presentes, sedento pela autorização de abri-los), e surpreende o tiozão comendo metade de um quibinho mordido “Querido. Vamos embora?”. “Por que?! Tá cedo”. É... para um tiozão que se preze, festa nenhuma tem hora para acabar.


Comentários