O Vestido
Achei que aquele momento seria o mais embaraçoso de minha existência. É uma sensação um pouco constrangedora, estar de pé com aproximadamente quatrocentas pessoas olhando para suas costas. Ao meu lado, uma mulher linda. Vestida toda de branco, com um véu enfeitando seu rosto. À minha frente, um senhor. Todo de preto, com um quadradinho branco no pescoço. Ele fala. As quatrocentas e duas pessoas escutam. No final, nos dá a palavra, “sim” é a nossa resposta.
Uma hora depois estamos todos na festa. Curiosamente, o número de pessoas até aumenta. O pessoal prefere festa mesmo. Após as valsas, todos estão um pouco “altos” e eu decido maneirar na bebida – não quero esquecer o dia mais importante da minha vida. Passando por umas mesas, voltando do banheiro, me deparo com a Tatiana. Meu primeiro namoro sério. Na época eu achava que ela é quem estaria vestida de branco hoje; gozado. Sorrio, dou um abraço apertado e agradeço pela presença. Tento me lembrar o porquê do nosso término enquanto continuo a andar. Não consigo. Tudo que me lembro são coisas boas. Engraçada, sempre sorrindo. Acho que a vi chorar duas vezes em um ano de namoro. Loira de olhos castanhos.
Na pista de dança, recebo uma cutucada nas costas. Viro e olho. Era a Ju. Amigona que acabou virando um rolo que voltou a virar amiga. Ela estava no altar algumas horas atrás. Amigos de verdade podem dar uns beijos e pouca coisa muda. Transar também. Pouca coisa muda, mas é hipocrisia dizer que tudo fica igual. Tínhamos um trato. Se eu chegasse aos quarenta – ela teria trinta e oito – solteiro, casaria com ela. A gente levava esse trato a sério. Eu levava; acho q ela também. Estou com trinta e dois. Não está vestida de branco.
Saio um pouco pro terraço, para tomar um ar. Encostada no parapeito – em um canto – reconheço a Laura. Intercepto o garçom e levo duas taças de champagne. Conversamos um pouco, lembramos do passado. Laura foi minha melhor amiga no começo da faculdade. Éramos da mesma sala. Sempre rolaram vários climas, e a gente sentia que um dia ficaríamos juntos. Mas não tínhamos pressa. Eu namorava e ela também, e não parecíamos dispostos a arriscar tudo. Ela mudou de faculdade e paramos de nos falar. Louca sensação: morro de saudades de tudo que poderia ter sido. Seus olhos verdes mantém o mesmo brilho. Preciso voltar para a festa. Sou o noivo.
Já está um pouco tarde. Meus pais querem se despedir. Nunca vi minha mãe tão feliz, e meu velho, orgulhoso. Última sessão de fotos. Faço questão de sair em mais uma com minha avó. Que prazer casar, e sua vozinha querida estar entre os convidados. Entrando de volta ao salão, uma música romântica embala os casais que resistem bravamente. Minha vizinha me tira para dançar. Amanda. Com essa, eu já fui casado; de brincadeira, claro. Acho que tinha uns seis anos, e a vizinhança preparou dois “casamentos” entre os casais mirins que se diziam “namorados”. Nós éramos o mais novo dos dois. O máximo que fazíamos era dar uns selinhos escondidos na pracinha perto de casa. Foi divertido. É um prazer dançar com minha primeira esposa no dia do meu casamento.
Nunca parei tanto para pensar nas mulheres que passaram pela minha vida. Muitas delas estão aqui. E por um motivo ou outro não são elas que estão de branco essa noite. Olho para o outro lado do salão e há um grupo de mulheres dançando. Uma delas percebe minha presença fitando-as. Ela sorri e começa a vir em minha direção. Não pára de dançar. Através de seus movimentos, ela se aproxima. Harmoniosamente se aproxima. Sorrindo cada vez mais. Continuo parado; sorrindo também. Seu vestido branco ondula dançando, num desenho mágico. Finalmente ficamos cara a cara, próximos mesmo. Não te vejo desde a valsa. Onde você estava? Ela me pergunta. “Procurando você”. Não é preciso dizer mais nada, nossos olhos dizem o resto.
Achei que aquele momento seria o mais embaraçoso de minha existência. É uma sensação um pouco constrangedora, estar de pé com aproximadamente quatrocentas pessoas olhando para suas costas. Ao meu lado, uma mulher linda. Vestida toda de branco, com um véu enfeitando seu rosto. À minha frente, um senhor. Todo de preto, com um quadradinho branco no pescoço. Ele fala. As quatrocentas e duas pessoas escutam. No final, nos dá a palavra, “sim” é a nossa resposta.
Uma hora depois estamos todos na festa. Curiosamente, o número de pessoas até aumenta. O pessoal prefere festa mesmo. Após as valsas, todos estão um pouco “altos” e eu decido maneirar na bebida – não quero esquecer o dia mais importante da minha vida. Passando por umas mesas, voltando do banheiro, me deparo com a Tatiana. Meu primeiro namoro sério. Na época eu achava que ela é quem estaria vestida de branco hoje; gozado. Sorrio, dou um abraço apertado e agradeço pela presença. Tento me lembrar o porquê do nosso término enquanto continuo a andar. Não consigo. Tudo que me lembro são coisas boas. Engraçada, sempre sorrindo. Acho que a vi chorar duas vezes em um ano de namoro. Loira de olhos castanhos.
Na pista de dança, recebo uma cutucada nas costas. Viro e olho. Era a Ju. Amigona que acabou virando um rolo que voltou a virar amiga. Ela estava no altar algumas horas atrás. Amigos de verdade podem dar uns beijos e pouca coisa muda. Transar também. Pouca coisa muda, mas é hipocrisia dizer que tudo fica igual. Tínhamos um trato. Se eu chegasse aos quarenta – ela teria trinta e oito – solteiro, casaria com ela. A gente levava esse trato a sério. Eu levava; acho q ela também. Estou com trinta e dois. Não está vestida de branco.
Saio um pouco pro terraço, para tomar um ar. Encostada no parapeito – em um canto – reconheço a Laura. Intercepto o garçom e levo duas taças de champagne. Conversamos um pouco, lembramos do passado. Laura foi minha melhor amiga no começo da faculdade. Éramos da mesma sala. Sempre rolaram vários climas, e a gente sentia que um dia ficaríamos juntos. Mas não tínhamos pressa. Eu namorava e ela também, e não parecíamos dispostos a arriscar tudo. Ela mudou de faculdade e paramos de nos falar. Louca sensação: morro de saudades de tudo que poderia ter sido. Seus olhos verdes mantém o mesmo brilho. Preciso voltar para a festa. Sou o noivo.
Já está um pouco tarde. Meus pais querem se despedir. Nunca vi minha mãe tão feliz, e meu velho, orgulhoso. Última sessão de fotos. Faço questão de sair em mais uma com minha avó. Que prazer casar, e sua vozinha querida estar entre os convidados. Entrando de volta ao salão, uma música romântica embala os casais que resistem bravamente. Minha vizinha me tira para dançar. Amanda. Com essa, eu já fui casado; de brincadeira, claro. Acho que tinha uns seis anos, e a vizinhança preparou dois “casamentos” entre os casais mirins que se diziam “namorados”. Nós éramos o mais novo dos dois. O máximo que fazíamos era dar uns selinhos escondidos na pracinha perto de casa. Foi divertido. É um prazer dançar com minha primeira esposa no dia do meu casamento.
Nunca parei tanto para pensar nas mulheres que passaram pela minha vida. Muitas delas estão aqui. E por um motivo ou outro não são elas que estão de branco essa noite. Olho para o outro lado do salão e há um grupo de mulheres dançando. Uma delas percebe minha presença fitando-as. Ela sorri e começa a vir em minha direção. Não pára de dançar. Através de seus movimentos, ela se aproxima. Harmoniosamente se aproxima. Sorrindo cada vez mais. Continuo parado; sorrindo também. Seu vestido branco ondula dançando, num desenho mágico. Finalmente ficamos cara a cara, próximos mesmo. Não te vejo desde a valsa. Onde você estava? Ela me pergunta. “Procurando você”. Não é preciso dizer mais nada, nossos olhos dizem o resto.

OBRA PRIMA! MUITO PROFUNDO FÊ!
ResponderExcluirBEM QUE EU DIGO QUE VC É UM HOMEM PRA CASAR...
BJ
Precisa mesmo comentar?
ResponderExcluirAmei, sorri e quase caiu uma lágrima agora.
Nada menos do que sempre observei em você: puro talento. O gênio sensível.
Amo vc amigo e pra sempre viu?
Cau.