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Certas coisas
Deixou o carro no valet e saiu apressado, quase esquecendo de pegar o tíquete: “Ah, sim, obrigado.”. Entrando no local, passeou as mesas com os olhos, ansioso, e não encontrou o que procurava. “Estaria ela tão diferente assim?...” aí notou o mezanino e a escada que levava a ele. Venceu o último degrau, virou à direita e pode ver todo o primeiro corredor do andar de cima. Bem ao fundo, numa mesa de dois lugares, estava ela. Folheava o cardápio com delicadeza e dava rápidas olhadas para o andar de baixo. A lâmpada dicróica lhe dava um ar de conto de fadas. “Sim, ela não mudou nada.” Lentamente foi caminhando pelo corredor, passando mesa por mesa. Ela não demorou a notar o movimento e virou os olhos em sua direção. Ambos sorriram, abraçaram-se e sentaram-se:
- Pensei que não fosse te reconhecer.
- Você está diferente, isso sim. Eu tenho a mesma cara desde os cinco anos de idade. Lembra?
- Quanto te conheci, você tinha vinte.
- Não, tô falando da foto que...
- ... foto?
- Esquece, deixa.
Odiava situações constrangedoras. “De que foto ela tá falando?”. Decidiu compensar a memória falha de alguma forma:
- Garçom, por favor. Capiroska de lichia para a dama e um chope para mim.
- Não, não. Só uma tônica, com limão espremido no copo, por favor. – Assim que o garçom se afastou, - Parei de beber. Não vejo mais graça nisso.
- Ah, tudo bem.
- Mas me fala de você. O que tem feito?
- O de sempre. Trabalhando no escritório, jogando aquela bolinha quando dá. E você, continua no ramo de depilação?
- Mais ou menos. Agora sou designer de sobrancelhas.
Quase respondeu um sonoro “ãnh?!”, mas conteve-se a tempo: - Que legal. Parabéns.
- Obrigada. Tem sido difícil, mas estou me saindo bem.
- Tenho certeza disso.
- Tem certeza?
- Sim. Que você se sairia bem...
- Gozado, porque você nunca acreditou que eu poderia ser boa nisso.
Quase respondeu um sonoro “quê?!”, mas conteve-se a tempo: - Imagina... Bem, vamos pedir aquela picanha no réchaud. Uma boa né?
- Pode pedir. Mas eu vou de salada de palmito. Vegetariana.
- Entendo...
- E o coração, como anda?
- Tranquilo. O seu?
- Idem.
- Vamos lá na calçada fumar um cigarrinho? Ou você parou com cigarro?
- Ahã. Mas pode ir se você quiser. Eu te acompanho.
Foram. Na calçada, conversaram mais um pouco, deram umas risadas, voltaram para a mesa. Comeram a picanha e o palmito, pediram a conta. Na saída, esperando os carros, ficaram em silêncio. O dela chegou primeiro, ele abriu gentilmente a porta. Ela se sentou e olhou para fora. Ele, apoiado na janela. Olharam-se por trinta segundos que pareceram horas. Até o carro dele chegar... Minutos depois, voltando para casa, teve certeza: “É, ela não mudou nada”.
Certas coisas
Deixou o carro no valet e saiu apressado, quase esquecendo de pegar o tíquete: “Ah, sim, obrigado.”. Entrando no local, passeou as mesas com os olhos, ansioso, e não encontrou o que procurava. “Estaria ela tão diferente assim?...” aí notou o mezanino e a escada que levava a ele. Venceu o último degrau, virou à direita e pode ver todo o primeiro corredor do andar de cima. Bem ao fundo, numa mesa de dois lugares, estava ela. Folheava o cardápio com delicadeza e dava rápidas olhadas para o andar de baixo. A lâmpada dicróica lhe dava um ar de conto de fadas. “Sim, ela não mudou nada.” Lentamente foi caminhando pelo corredor, passando mesa por mesa. Ela não demorou a notar o movimento e virou os olhos em sua direção. Ambos sorriram, abraçaram-se e sentaram-se:
- Pensei que não fosse te reconhecer.
- Você está diferente, isso sim. Eu tenho a mesma cara desde os cinco anos de idade. Lembra?
- Quanto te conheci, você tinha vinte.
- Não, tô falando da foto que...
- ... foto?
- Esquece, deixa.
Odiava situações constrangedoras. “De que foto ela tá falando?”. Decidiu compensar a memória falha de alguma forma:
- Garçom, por favor. Capiroska de lichia para a dama e um chope para mim.
- Não, não. Só uma tônica, com limão espremido no copo, por favor. – Assim que o garçom se afastou, - Parei de beber. Não vejo mais graça nisso.
- Ah, tudo bem.
- Mas me fala de você. O que tem feito?
- O de sempre. Trabalhando no escritório, jogando aquela bolinha quando dá. E você, continua no ramo de depilação?
- Mais ou menos. Agora sou designer de sobrancelhas.
Quase respondeu um sonoro “ãnh?!”, mas conteve-se a tempo: - Que legal. Parabéns.
- Obrigada. Tem sido difícil, mas estou me saindo bem.
- Tenho certeza disso.
- Tem certeza?
- Sim. Que você se sairia bem...
- Gozado, porque você nunca acreditou que eu poderia ser boa nisso.
Quase respondeu um sonoro “quê?!”, mas conteve-se a tempo: - Imagina... Bem, vamos pedir aquela picanha no réchaud. Uma boa né?
- Pode pedir. Mas eu vou de salada de palmito. Vegetariana.
- Entendo...
- E o coração, como anda?
- Tranquilo. O seu?
- Idem.
- Vamos lá na calçada fumar um cigarrinho? Ou você parou com cigarro?
- Ahã. Mas pode ir se você quiser. Eu te acompanho.
Foram. Na calçada, conversaram mais um pouco, deram umas risadas, voltaram para a mesa. Comeram a picanha e o palmito, pediram a conta. Na saída, esperando os carros, ficaram em silêncio. O dela chegou primeiro, ele abriu gentilmente a porta. Ela se sentou e olhou para fora. Ele, apoiado na janela. Olharam-se por trinta segundos que pareceram horas. Até o carro dele chegar... Minutos depois, voltando para casa, teve certeza: “É, ela não mudou nada”.
Puta mulher chata, heim! Ta Louco!
ResponderExcluirA essência sempre prevalece,por mais que vc mude.
ResponderExcluirBjoos
Puta mulher chata, heim! Ta Louco! [2] rs...
ResponderExcluir"Certas coisas nunca mudam".
é, certas coisas nunca mudam.
ResponderExcluirEla nao é chata. Ela só é.
ResponderExcluirTem certas coisas que eu não sei dizer...e digo!
ResponderExcluira verdadeira essência nunca muda.
ResponderExcluirIsso me fez lembrar de te lembrar que precisa escrever um texto sobre sua esteticista! ahahahah
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