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Meet me in Montauk
Sempre fui um amante da sétima arte, desde pequeno. Durante anos e anos jamais consegui definir o meu filme preferido. Muitos gêneros, épocas, diretores diferentes. Impossível eleger apenas um. Isso mudou em 2002, numa tarde comum. Saímos às pressas, eu e um colega de faculdade, sem nem saber se conseguiríamos entrar na sala. Duas horas e pouco depois eu não conseguia sair dela. Atônito, acompanhava os créditos, ao som de Everybody´s gonna learn sometime. O filme? Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças.
Outro dia me peguei tentando entender o porquê deste filme ter ultrapassado todos os outros e ganhado minha preferência. Os atores estão perfeitos, Jim Carrey e Kate Winslet, além de Michel Gondry arrasando na linguagem meio vídeo-clipe, meio sonho, meio confusão mental. Não imagino outro diretor que conseguisse efeito igual. Sobre Jim Carrey sou suspeito para falar. Sempre fui seu fã, desde a época das caretas até a gostosa surpresa de seus últimos trabalhos dramáticos. Entre eles, Joel, o protagonista do filme. Ele criou uma angústia e resignação no personagem que nos toca desde o começo da história, e vai ganhando força no decorrer da narrativa. Quanto a Kate Winslet e sua Clementine não é preciso dizer nada. Impecável na pele da impulsiva jovem apaixonada. Enfim, elenco afiado e direção perfeita outros filmes também têm. Não é isso que o coloca em primeiro lugar.
E a história. Por que ela comove tanto? É fato que todo filme se transforma quando assistimos pela segunda vez. Acontece que Brilho Eterno vira outro completamente novo. A narrativa nos engana desde o princípio e a grande surpresa final nos remete diretamente ao início, criando um desejo louco de começar outra vez. Exatamente como o sentimento dos personagens. O flashback dentro da memória de Joel é outro aspecto impressionante que Charlie Kaufman (o autor) tece brilhantemente bem e Gondry transforma em imagens. Sobre o enredo non-sense e o aspecto quase ficção científica, estes ficam na superfície. São apenas um recurso inusitado para contar uma história de amor. E que história. Enfim, é quase isso que o coloca em primeiro lugar.
Será mesmo que o filme está certo e estamos fadados a um mesmo destino, independente da origem. Se sim, qual o problema? Não é o trajeto que importa? ... É uma delícia poder começar tudo de novo. A paixão inicial, a insegurança que faz tremer as bases, os olhares de cumplicidade. Aí, os primeiros passeios, o amor consumado e se construindo a cada dia, a timidez, as descobertas das preferências, os momentos musicais, etc. O tempo passa e o calor se transforma noutra coisa igualmente especial e gostosa. Até que vamos esquecendo, aos poucos, deixando-o meio de lado. Justamente para encontrá-lo de novo...
Outro dia me deparei com o Brilho Eterno como não acontecia há tempos e meus olhos se encheram de saudade. Ah, que prazer ver que essa paixão pode brilhar outra vez. E outra, e outra, e mais outra...
- That´s it, Joel. It´s gonna end sometime.
- I know.
- What shall we do?
- Enjoy it.
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Meet me in Montauk
Sempre fui um amante da sétima arte, desde pequeno. Durante anos e anos jamais consegui definir o meu filme preferido. Muitos gêneros, épocas, diretores diferentes. Impossível eleger apenas um. Isso mudou em 2002, numa tarde comum. Saímos às pressas, eu e um colega de faculdade, sem nem saber se conseguiríamos entrar na sala. Duas horas e pouco depois eu não conseguia sair dela. Atônito, acompanhava os créditos, ao som de Everybody´s gonna learn sometime. O filme? Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças.
Outro dia me peguei tentando entender o porquê deste filme ter ultrapassado todos os outros e ganhado minha preferência. Os atores estão perfeitos, Jim Carrey e Kate Winslet, além de Michel Gondry arrasando na linguagem meio vídeo-clipe, meio sonho, meio confusão mental. Não imagino outro diretor que conseguisse efeito igual. Sobre Jim Carrey sou suspeito para falar. Sempre fui seu fã, desde a época das caretas até a gostosa surpresa de seus últimos trabalhos dramáticos. Entre eles, Joel, o protagonista do filme. Ele criou uma angústia e resignação no personagem que nos toca desde o começo da história, e vai ganhando força no decorrer da narrativa. Quanto a Kate Winslet e sua Clementine não é preciso dizer nada. Impecável na pele da impulsiva jovem apaixonada. Enfim, elenco afiado e direção perfeita outros filmes também têm. Não é isso que o coloca em primeiro lugar.
E a história. Por que ela comove tanto? É fato que todo filme se transforma quando assistimos pela segunda vez. Acontece que Brilho Eterno vira outro completamente novo. A narrativa nos engana desde o princípio e a grande surpresa final nos remete diretamente ao início, criando um desejo louco de começar outra vez. Exatamente como o sentimento dos personagens. O flashback dentro da memória de Joel é outro aspecto impressionante que Charlie Kaufman (o autor) tece brilhantemente bem e Gondry transforma em imagens. Sobre o enredo non-sense e o aspecto quase ficção científica, estes ficam na superfície. São apenas um recurso inusitado para contar uma história de amor. E que história. Enfim, é quase isso que o coloca em primeiro lugar.
Será mesmo que o filme está certo e estamos fadados a um mesmo destino, independente da origem. Se sim, qual o problema? Não é o trajeto que importa? ... É uma delícia poder começar tudo de novo. A paixão inicial, a insegurança que faz tremer as bases, os olhares de cumplicidade. Aí, os primeiros passeios, o amor consumado e se construindo a cada dia, a timidez, as descobertas das preferências, os momentos musicais, etc. O tempo passa e o calor se transforma noutra coisa igualmente especial e gostosa. Até que vamos esquecendo, aos poucos, deixando-o meio de lado. Justamente para encontrá-lo de novo...
Outro dia me deparei com o Brilho Eterno como não acontecia há tempos e meus olhos se encheram de saudade. Ah, que prazer ver que essa paixão pode brilhar outra vez. E outra, e outra, e mais outra...
- That´s it, Joel. It´s gonna end sometime.
- I know.
- What shall we do?
- Enjoy it.
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também gosto muito do filme. ele já esteve comigo em vários momentos (diferentes e significativos) da minha vida.
ResponderExcluirgostei muito do seu texto. só não concordo com a afirmação de o enredo nonsense ficar apenas na superfície, ainda mais quando, logo antes, você elogia os flashbacks dentro da memória de joel... as próprias "voltas", sobre as quais você fala muito bem, a sensação de não desgrudar, começar de novo... para mim, isso não se dissocia da forma nonsense. aliás, o filme consegue mostrar que a realidade, ou o sentido, é no mais das vezes sem sentido algum, não? (mas adorei o texto!)
Até no filme favorito nos parecemos!
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