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De que cor?
Quando me diziam que a vida era feita de escolhas, achava que estavam falando o óbvio. Coisas como futuro profissional, sabor do sorvete e até mesmo qual filme pegar na locadora. Mas hoje penso que eles tentavam me alertar sobre coisas maiores. Comecei a entender num dia comum. Acho que era uma quarta-feira, meio da tarde.
Saí do trabalho para a manicure. O dia tinha sido tranqüilo e conseguira desligar meu computador com antecedência suficiente para tomar um café, num lugar agradável, entre o escritório e o salão de beleza. Sentei-me ao balcão e pedi um expresso com uma gota de leite. Quase ao mesmo tempo, ouvi o homem que pedia o simples do meu lado. Os cafés chegaram. Chegaram trocados. No primeiro gole, nós percebemos o erro e (só então) nos vimos. A coincidência e o total entendimento no olhar nos fez dar risada. E rimos muito depois disso. Antes que você me pergunte: não, eu não fiz as unhas àquela tarde.
Dias depois, passei no mesmo café. Aliás, sempre que passo em frente, olho discretamente. Não que eu saiba que atitude tomaria se o visse ali, provavelmente esperaria que ele tomasse. Esperaria um sorriso seguido do convite – convite igual ao que ele me fez no dia em que trocaram nossas xícaras. Convite para o qual escolhi dizer não. O porquê eu não sei. Muitas hipóteses navegam meu pensamento, mas não escolho nenhuma.
Enquanto faço minhas unhas, imagino sempre o que estaria fazendo se não elas, e ao lado ele. Quando escolho o vermelho 5ª Avenida, lembro que não escolhi jantar com um quase desconhecido, que me parecia tão familiar. As cores de tudo que não é parecem tão mais brilhantes e vivas do que todas as outras. Já tiveram essa sensação? A dúvida menos duvidosa que se pode ter... Fecho os olhos e não são as mãos da manicure que encontram as minhas.
Às vezes, podemos mudar com extrema facilidade. Do vermelho 5ª Avenida para o Canoa, e deste para o Chic e até quem sabe escolho o Volúpia, sem nunca deixar de ser vermelho, ou sem nunca deixar de ser esmalte. Ouvi dizer que existe uma chamada Me Beije, mas esta, eu não sei se ainda posso escolher.
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achei esse seu texto de uma sensibilidade incrível. escrever com heronimo feminino... e o jogo das cores dos esmaltes... o encontro meio misteriso, uau! uma construção rica e muito cheia de significados!
ResponderExcluirfico imaginando quando não vou gostar de um texto seu... rs!
beijooo
O deixa beijar resolveria tudo!
ResponderExcluirNão só de escolhas viverá o homem, mas, sobretudo, de encontros e desencontros!
ResponderExcluirP.S.: Vermelho 5ª avenida?
Poder escolher sempre podemos, o que não dá para saber é o retorno disso. Entra ai então outra questão de escolha, a de arriscar ou não...
ResponderExcluirLembrei de "A dona da história", já viu? Filme nacional, com estilo e ator de novela, mas bem interessante com relação a essa "coisa" de escolha...
Bjs
Olha, não é um mega filme, mas vale alugar num dia a toa ou parar para ver no Telecine...
ResponderExcluirDá para ter uma ideia com essa sinopse: http://www.filmesdecinema.com.br/filme_a_dona_da_historia_1583.html
Bjo
fiquei curioso pelo vermelho 5a. avenida: gosto das duas partes, rs. e achei sua narradora interessante. curtiria tomar um café com ela.
ResponderExcluirAdorei seu blog.
ResponderExcluirlindo texto.
Fe, sempre 'piro' nos teus textos. adoro suas palavras. ;)
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