Memória curta
- Mas você vai hoje?
- Claro... não tem porquê ficar.
- Passa mais essa noite. Amanhã cedo você vai.
- Não, prefiro ir hoje mesmo.
- Tudo bem. Já sabe pra onde vai?
- Não, qualquer coisa durmo num hotel.
- Bobagem...
- Você viu meu DVD do Brilho Eterno?
- Acho que a gente emprestou pro Pedro. Não foi?
- É mesmo. Depois eu pego então.
- Olha, esse edredom é seu.
- Tô levando o outro, e você não tem nenhum.
- Eu passo numa lavanderia e te devolvo depois.
- Não precisa. Fica.
- Fica você.
- Já disse que tô indo.
- Olha que eu não vou pedir de novo.
- Tchau, André.
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- Você vai ficar quieto o jantar inteiro?
- Pra não falar merda, prefiro não falar nada.
- Como você é estúpido.
- Tá vendo? Você devia ter feito o mesmo.
- Infelizmente eu não tenho doze anos e prefiro resolver as coisas.
- Resolver o quê?
- Você só pode estar brincando.
- Eu não vejo motivo pra essa conversa. Eu tive um dia de merda, você também. A gente discutiu e pronto. Agora a gente come, dorme e amanhã está tudo bem.
- Só se for no seu mundo idiota.
- Ei, aonde você vai? Camila?
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- Essa cadeira está ocupada?
- Ainda não...
- Ótimo. Sabe que o seu sorriso devia ser proibido?
- Não... Por quê?
- Porque é uma covardia! Perto do seu, os outros parecem choro,
resignação.
- Que exagero, meu Deus.
- Xiu... Não fala nada: é só sorrir.
- Nossa. Você é doido.
- Tchau pra você também, viu? A gente se vê numa próxima? ... Garota?!
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- Fecha os olhos.
- Por quê?
- Fecha, vai. É um presente.
- Tá bom... O que é?
- Calma. Se você adivinhar, eu pego.
- Como, doido?
- Você vai adivinhar, tenho certeza.
- Hmm... é um CD?
- Quase.
- Um DVD.
- Isso! Agora vem a parte fácil. Qual?
- Ah, eu não acredito que é o... mas você disse que...
- Esquece o que eu disse. Só sorri.
- Eu sempre caio nessa, né?
- Não agüento o seu sorriso. Fico bobo. Péra que vou eu trazer.
- Eu sempre acho fofo. Vem logo. Posso olhar?
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- Ei, acorda. Acorda.
- Hmm. Que foi?
- Nada. Só queria dizer que te amo.
- Assim, do nada? De madrugada?
- Acabei de lembrar que não falei durante o dia.
- Eu também te amo, linda.
- Pra sempre?
- Sim, pra sempre.
- Não gostou que te acordei. Por que levantou?
- Vou beber água e volto.
- Volta mesmo?
- Eu sempre volto.
Se um palíndromo é quando uma palavra ou frase possuem o mesmo significado lidas de trás para frente, farei algo parecido com o título desse texto, chegando à esquisita palavra “sisão” (tomei a liberdade de por um til nesse acento pra dar mais sonoridade). Assim, escrito com “ésse”, Sisão é o nome de uma ave de pequeno porte, encontrada no sul da Europa e na Ásia; infelizmente em perigo de extinção. Quando escrito com “cê”, chegamos a uma espécie de palíndromo, palavra com aspectos que se assemelham a uma possível interpretação para oásis. Lemos “cisão”: separação, divisão, exclusão. Coincidência estarmos vivendo divididos, separados uns dos outros e, sim, diante da possibilidade de extinção, tal qual a ave asiática? É quase uma vingança, um acerto de contas da natureza. Aves asiáticas em extinção nos colocando na mesma situação. Seria uma enorme coincidência. Seria. Primeiro pois eu não acredito em coincidências, e segundo porque Oásis é bem mais que uma parte excluída no desert...
A mente pode até ficar sem lembrança.
ResponderExcluirMas o sentimento fica...
Pra sempre.
E-S-P-E-T-A-C-U-L-A-R
ResponderExcluirPosso dizer que eu preciso ler de novo?
ResponderExcluirOu será que eu preciso assistir Brilho Eterno?
huahuahuahua...
(Acho que os dois!)
De qualqer forma, é lindo, realmente lindo!
De uma sensibilidade inacreditável!
já pensou em escrever um roteiro? alguns posts dariam belos filmes!
ResponderExcluirParabéns, como sempre fantástico!
Beijos
Teatro 100%. Uma peça assim seria genial. Quero muito ver no palco. Adorei! Beijos!
ResponderExcluirsensível! perfeito! incrível! sem palavras... adorei!
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