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Cotidiano



Uma escada. Três andares separando seis lances de degraus, entre uma porta e outra. Por dia, são duas travessias; no mínimo. Carregando a si próprio e o peso do dia-a-dia; no mínimo. Bagagem, compras ou volta de balada dobram a dificuldade. Mas nada me tira mais do sério do que chegar lá embaixo pela manhã e aí me lembrar da chave do carro.


Estacionar. Parece que o grau de dificuldade em arrumar vagas perto do trabalho piora todo dia. Chegou depois das nove, esquece: vai ter que andar. Outra briga curiosa acontece no horário de almoço: todos os carros voltando antes das duas, atrás do melhor lugar.


Café. Em média, uns quatro por dia: dois de manhã, mais dois à tarde. O melhor é o primeiro: logo de cara, quentinho, desce perfeito. O seguinte geralmente está frio, ruim, mal coado, ou simplesmente não está. Acabou, e a coitada da garrafa térmica tosse umas gotas frias no copo plástico. Durante a tarde, idem. Começa bem e vai piorando ao longo das horas. Café. Há quem diga que faz mal, excitante dizem. Viciante, digo.


Mas que sono. Acordar é sempre difícil. Os dez minutos a mais que passam em segundos e parecem só deixar mais sono em seu lugar, as terríveis primeiras horas que sucedem o almoço e é claro, a noite que chega acusando-te por ainda estar de pé.


Mais um dia se passou. Vinte e quatro horas de um total de seiscentas mil que imagino poder viver, tempo para fazer tudo que eu me propus a fazer e ainda não fiz. Não hoje. Um agravante: além de não terem sido úteis para realizar o que já sonhei, essas vinte e quatro horas foram mais que suficientes para crescer meus sonhos e desejos. Vou me aproximando do fim (de outro dia) e me afastando desta lista – que um dia, pequena e inocente, era tão certa quanto o sono e os cafés de amanhã.








Comentários

  1. Interessante...
    e mais interessante ainda é o quanto a foto contribui para o conjunto da obra. Estes lances de escada em caracol, não sei se foi esta a intenção, mas me lembraram este túnel que parece ser a vida. Li algo assim recentemente, algo que dizia que a vida é um túnel, sem luz no final. Não sei se concordo com a falta de luz no fim, quem sabe o fins não sejam pretos, mas brancos...e é neste sentido que vivo meus dias, a palavra aqui não é concordar, ou discordar, mas acordar. Sim que eu penso justamente o contrário, ou vivo o contrário, sei lá...
    sonhar é importante, e por isso que não devemos parar nunca, porém a cada manhã me alegro em saber que eu estou fazendo tudo o qto é possível para viver estes sonhos. A cada dia, me vejo diante de uma nova chance de ser feliz, AGORA!

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  2. Sempre, ao ler seu blog, tomo o máximo de cuidado para não ver a foto antes de acabar o texto. Vou alisando o mouse devagar, até que só reste a última linha e quase nada da figura apareça. No final é sempre uma excelente supresa, mas do que isso: essa arrepiou!
    Um beijo em todos os seus dias, Fê!

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  3. Fala sério Fe, adoro as coisas que escreve!!!
    já to virando fã

    me passa seu msn!
    tem orkut?

    abração

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  4. e os planos e sonhos ficam para depois. o agora é tomado pelo café, e as horas...

    é incansável e inevitável ler seu blog!! =)

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  5. Anônimo10:53 AM

    que bom poder viver e ver os desejos aumentando. muito bom.

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  6. Anônimo11:31 AM

    Que vc inclua sempre nessas suas 24 horas um bom momento para escrever neste blog e com isso, alimentar nossos sonhos.

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