Pular para o conteúdo principal



As Minhas Meninas


Tinha uns treze anos quando se apaixonou. Geni era o nome que o iniciou. Como não notara tal poesia antes, se perguntava; o problema é que nunca fora o único. Não demorou a perceber que Geni não podia ser sua. Geni era de todo mundo e ele, de ninguém. Mas acontece que apesar dela, e mais, graças a ela, o amanhã foi sim outro dia. Ele entendeu que existiam muitas outras, tão boas ou melhores que Geni.

A segunda lhe chegou. E ficou. Rita era perfeita, um pouco mais velha, madura, e talvez por isso, tão fundamental. Especial na forma e conteúdo, uma obra de arte, aos olhos de todo admirador e artista. Para sua profunda tristeza, o pior aconteceu. Rita se foi do jeito que veio. Trocando em miúdos, sumiu de sua vida e caiu no esquecimento. De uma hora pra outra, de repente.

Foi quando conheceu uma morena. De olhos bem verdes, que lhe suscitavam querer mergulhar dentro deles. Ele a convenceu a acreditar que valia a pena, e juntos viveram um conto de fadas. Quando a tocava, o reino era só dele. Deles sim. Até ela sumir no mundo sem o avisar. Ficou sem Maria, e o faz-de-conta terminou assim.

Anos depois, deparou-se com Carolina. Triste como os anos que passam, doce como a vida que vem. Ele tentou mudar, avisar, mas Carolina não viu. Não viu nem a Rosa nascer. Rosa. Outra que mudou sua vida. Inconstante e um pouco doida. Sem deixar de ser alegre, entre perfumes e espinhos, fez parte de seu caminho.

Vieram Anas, Morenas, Joanas, Madalenas, Bárbaras, Beatrizes, Iolandas. E nenhuma durou pra sempre. Chegavam, algumas eram mais difíceis de esquecer, e acabavam indo. E, finalmente quando chegou a vez dele de partir, foi embora feliz. De tanto amar, entendeu afinal que viver era mais que buscar entender. Foi-se para sempre com uma única certeza: Chico. Eternamente Chico.

Comentários

  1. Já conheço os passos dessa estrada Sei que não vai dar em nada
    Seus segredos sei de cor
    " Já conheço as pedras do caminho E sei também que ali sozinho
    Eu vou ficar, tanto pior O que é que eu posso contra o encanto
    Desse amor que eu nego tanto Evito tanto E que no entanto
    Volta sempre a enfeitiçar
    Com seus mesmos tristes velhos fatos Que num álbum de retrato
    Eu teimo em colecionar..."

    ResponderExcluir
  2. não sabia dessa sua paixão. "quem é essa mulher...?"

    ResponderExcluir
  3. Esperto que o hómi seja POETA, não PROFETA, senão...
    Na dúvida
    Tanto faz
    Jaz
    Morre de amor quem é capaz
    Sílvia

    ResponderExcluir
  4. Acho até que farei uma versão de meus meninos!! Talvez não caiba, mas tentarei!!

    Besos

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

OÁSIS

Se um palíndromo é quando uma palavra ou frase possuem o mesmo significado lidas de trás para frente, farei algo parecido com o título desse texto, chegando à esquisita palavra “sisão” (tomei a liberdade de por um til nesse acento pra dar mais sonoridade). Assim, escrito com “ésse”, Sisão é o nome de uma ave de pequeno porte, encontrada no sul da Europa e na Ásia; infelizmente em perigo de extinção. Quando escrito com “cê”, chegamos a uma espécie de palíndromo, palavra com aspectos que se assemelham a uma possível interpretação para oásis. Lemos “cisão”: separação, divisão, exclusão.   Coincidência estarmos vivendo divididos, separados uns dos outros e, sim, diante da possibilidade de extinção, tal qual a ave asiática? É quase uma vingança, um acerto de contas da natureza. Aves asiáticas em extinção nos colocando na mesma situação. Seria uma enorme coincidência. Seria. Primeiro pois eu não acredito em coincidências, e segundo porque Oásis é bem mais que uma parte excluída no desert...
nós Ele é seu, nosso. Vosso... Posso? É uma coisa, que, sem querer: Causa um negócio. É lindo, leite ninho, mas bem que prefere um danoninho. Sorri sem querer. alegra o viver ... tem que conhecer! Feliz de quem cruzar... João, sempre a brincar. Não finjo, não corro, não nego. Um dia, que há dias espero.
Madrugada Insônia de novo. Merda. Sei que já devem ser altas horas. Conheço a madrugada pela quase ausência de ruído nas ruas. Acendo a tela do celular. O horário é o mesmo de sempre: quatro e um. De novo? Será isso algum sinal do sobrenatural para um cético como eu? Existe muita coisa que você desconhece, reles mortal. Foda-se. Sempre me aconselharam a correr em caso de insônia. Eu não costumo correr nem de cachorro, quanto mais nas ruas, em plena madrugada. Mas depois de tantas noites acordando às quatro e um era melhor tentar algo diferente. (Se fico na cama, conheço bem o final). Logo ganho as ruas, vou num ritmo leve, preciso ajudar minha condição física a me levar para fora do bairro; ao menos. Depois da segunda grande avenida, começo a me surpreender: estou indo longe demais. Ao melhor estilo Forrest Gump, arrisco uma avenida maior, e vou ainda mais longe. Estou suado, mas não cansado. Corro, e corro mais um pouco. Venço uma grande ladeira, aproveito a descida para respirar. Nã...