O primeiro último dia
Acordou mais cedo do que deveria, antes do despertador. Aproveitou o tempo e seu banho foi mais longo. Desceu as escadas já vestido e viu que a empregada ainda não estava lá. Normal, pensou. Às vezes, ela atrasa mesmo. Comeu alguma coisa e, finalmente, ganhou a rua.
Sua casa fica em uma vila bastante aconchegante, e dos poucos vizinhos que possui, nenhum resolvera sair à mesma hora que ele. Melhor assim; alguns deles adoram alongar a conversa. Reparou o dia lindo, daqueles com sol morno e brisa fresca. Sorriu e partiu para o metrô.
Chegou sozinho à entrada, onde tantas pessoas passam todos os dias, e percebeu que estava fechada. Estranho. Seria greve? (...) Bateu palmas, chamou por qualquer um, e sem ser ouvido, decidiu pegar um ônibus.
Quase meia hora de espera no ponto, e nenhum veículo passou. Teria de ir a pé. Que absurdo! Talvez levasse mais de uma hora andando, mas não havia outra opção. Caminhou por ruas e avenidas, todas silenciosas. O que teria acontecido? Finalmente se deu conta do que (não) havia ao seu redor.
Começou a correr desembestado, tentando entrar em qualquer estabelecimento que encontrava. A maioria, de portas fechadas. Outros, desertos.
Chegou a uma das principais avenidas da cidade e nada. Ninguém. Tem que ser um sonho, é claro. Beliscou-se, chutou um poste e só conseguiu se machucar. Deitou-se no chão e ficou. Ficou muitos minutos pensando e foi decidido até o shopping mais próximo.
Alucinadamente, começou a invadir algumas lojas. Comeu tudo o que conseguiu encontrar, quebrou vitrines, provou roupas das grifes mais caras e saiu carregando produtos caros embaixo do braço. Mesmo sozinho, correu para a rua, antes que percebessem o que acabara de fazer.
Na primeira quadra, largou tudo que tinha em mãos e despiu-se. Mais uma vez saiu em disparada, procurando alguém. E o dia todo foi assim. Correu, gritou, chorou. (...) Até resolver voltar para casa. Já começava a escurecer e poucas forças lhe restavam. Chegou à vila com saudade das conversas dos vizinhos.
Entrou em casa, sem se preocupar com a tranca da porta. Exausto, esparramou-se no sofá e adormeceu. Acordou algum tempo depois com um som que vinha do andar de cima.
Conforme subia as escadas, o ruído aumentava. Percebeu que vinha do banheiro e empurrou a porta entreaberta: alguém tomava banho! Aproximou-se silenciosamente e empurrou a cortina. (...) Assim que viu a pessoa e reconheceu a si mesmo, nu, olhando para ele, desapareceu.
Acordou mais cedo do que deveria, antes do despertador. Aproveitou o tempo e seu banho foi mais longo. Desceu as escadas já vestido e viu que a empregada ainda não estava lá. Normal, pensou. Às vezes, ela atrasa mesmo. Comeu alguma coisa e, finalmente, ganhou a rua.
Sua casa fica em uma vila bastante aconchegante, e dos poucos vizinhos que possui, nenhum resolvera sair à mesma hora que ele. Melhor assim; alguns deles adoram alongar a conversa. Reparou o dia lindo, daqueles com sol morno e brisa fresca. Sorriu e partiu para o metrô.
Chegou sozinho à entrada, onde tantas pessoas passam todos os dias, e percebeu que estava fechada. Estranho. Seria greve? (...) Bateu palmas, chamou por qualquer um, e sem ser ouvido, decidiu pegar um ônibus.
Quase meia hora de espera no ponto, e nenhum veículo passou. Teria de ir a pé. Que absurdo! Talvez levasse mais de uma hora andando, mas não havia outra opção. Caminhou por ruas e avenidas, todas silenciosas. O que teria acontecido? Finalmente se deu conta do que (não) havia ao seu redor.
Começou a correr desembestado, tentando entrar em qualquer estabelecimento que encontrava. A maioria, de portas fechadas. Outros, desertos.
Chegou a uma das principais avenidas da cidade e nada. Ninguém. Tem que ser um sonho, é claro. Beliscou-se, chutou um poste e só conseguiu se machucar. Deitou-se no chão e ficou. Ficou muitos minutos pensando e foi decidido até o shopping mais próximo.
Alucinadamente, começou a invadir algumas lojas. Comeu tudo o que conseguiu encontrar, quebrou vitrines, provou roupas das grifes mais caras e saiu carregando produtos caros embaixo do braço. Mesmo sozinho, correu para a rua, antes que percebessem o que acabara de fazer.
Na primeira quadra, largou tudo que tinha em mãos e despiu-se. Mais uma vez saiu em disparada, procurando alguém. E o dia todo foi assim. Correu, gritou, chorou. (...) Até resolver voltar para casa. Já começava a escurecer e poucas forças lhe restavam. Chegou à vila com saudade das conversas dos vizinhos.
Entrou em casa, sem se preocupar com a tranca da porta. Exausto, esparramou-se no sofá e adormeceu. Acordou algum tempo depois com um som que vinha do andar de cima.
Conforme subia as escadas, o ruído aumentava. Percebeu que vinha do banheiro e empurrou a porta entreaberta: alguém tomava banho! Aproximou-se silenciosamente e empurrou a cortina. (...) Assim que viu a pessoa e reconheceu a si mesmo, nu, olhando para ele, desapareceu.
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