Mais uma noite no trabalho, ainda é cedo. Acho que vou pegar trânsito para ir embora – o trânsito da manhã. É curioso trabalhar à noite. Acho que eu produzo mais. Sempre fui assim, se me lembro bem. Trabalhos de escola, arrumações de quarto, enfim, eu tinha a tendência de adiar as coisas e resolver na última hora. Quase sempre à noite. Ultimamente não tem sido tendência não; é minha única opção.
A parte boa de ficar até tão tarde no trabalho é ocupar a cabeça. Não dá tempo de pensar em besteira, muito menos ficar imaginando coisas. Sobra tempo apenas de pensar no primordial, no lado bom da vida e das pessoas que passam por ela. Nossa mente adora pregar peças e a gente confunde tudo. Se não há tempo nem pra confusão, as coisas vão se resolvendo. Afinal, com a cabeça vazia ou não, o mesmo camarada chamado “tempo” não deixa de passar. Outra vantagem é que, morrendo de sono, você e seu colega de trabalho ficam muito mais engraçados.
Quando você menos perceber, as coisas já estão bem melhores, o trabalho adiantado e o sol começa a dar sinais de que vai voltar. Mas é claro que o sol vai voltar amanhã. O dia está cada vez mais gostoso, e o desejo de vivê-lo por completo cada vez mais brilhante. Dá vontade de fazer o tempo passar mais rápido, acabar com a espera e sair pra fora, deixando as preocupações e inseguranças do lado de dentro. Respirar o dia lindo e sentir o sol renovar, brilhar, enorme, radiante!
Calma. Não adianta ter pressa. Estamos quase lá e o sol já está voltando. Mesmo com o céu claro, é difícil saber de qual lado que ele vai nascer. Como eu dizia: já é quase tarde, mas ainda é cedo.
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