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Vamos ser amigos? – Texto 2


As grandes amizades são únicas e infinitas. Pelo menos enquanto durem. Acontece que elas nem sempre foram assim. Tudo começa de algum lugar, e certamente, melhores amigos já foram meros conhecidos. Então: como começa uma amizade? De onde vem a vontade de duas pessoas se tornarem confidentes e companheiras? Por que isso acontece?

Muito difícil responder o que se passa no interior de pessoas que começam um processo de amizade. Elas próprias, se questionadas, não saberiam dizer. Um aspecto que é fato é o poder da empatia. Em qualquer situação de gente nova se conhecendo, algumas pessoas aproximam-se automaticamente de outras e vice-versa. Por exemplo uma escola nova, trabalho novo ou qualquer outro ambiente que se passa a freqüentar, rapidamente algumas pessoas vão se unindo. E não precisa ser em pares, ao contrário, é mais comum ainda que no início de uma grande amizade, forme-se um grupo antes. As chamadas “panelinhas”. De três a cinco pessoas que perceberam ter algo em comum. É claro que isso também pode mudar. Em determinados momentos da vida, algumas pessoas têm mais afinidade, mas aí o tempo passa e o que havia em comum entre elas, pode desaparecer. Coisas da vida. É a velha história de reencontrar um amigo da infância e perceber que hoje a amizade não funciona mais.

Fazer um amigo é mais fácil do que se pensa. Uma forma muito comum é tornando-se amigo de um amigo seu. É simples! Batata! Ao conhecer alguém que já é amigo de um camarada seu, você está pulando várias etapas complicadas do início de uma amizade. Justamente nesse período crucial onde pode-se formar um amigo ou colecionar mais um colega. A única complicação que às vezes acontece é aparecer um ciúmes de amigo. Por incrível que pareça, é tão comum – quiçá até mais – do que entre um casal.

Voltando à empatia entre duas pessoas que acabaram de se conhecer. Inconscientemente, elas querem manter contato e fortalecer seus vínculos. É aí que surge o que nós chamamos de Primeiro Grande Assunto. Simplesmente, de uma hora para outra, ambos percebem que possuem um assunto em comum. Pode ser qualquer coisa, desde que tenha intensidade. Mesmo futebol pode servir, se os dois forem viciados no mesmo time. Mas é mais natural aparecerem assuntos raros, específicos, e é por isso que eles se aproximam. É como se ambos pensassem “Nunca imaginei que alguém podia gostar tanto do Uzbequistão quanto eu”. E é só disso que eles vão falar. Por um bom tempo. Toda vez que os assuntos monótonos do dia-a-dia acabarem: pimba! Cultura uzbequistã neles! E assim, aos poucos, o tempo vai passando, passando, os dois vão vivendo algumas situações, percebendo outras coisas em comum, ganhando intimidade para certos assuntos e blá blá blá. Formou-se uma amizade que começou num curso intensivo de vendas para executivos do ramo de hortifruti. Semanas depois as esposas são velhas amigas (vide um pouco acima a facilidade de ser amigo do amigo), os filhos jogam videogame juntos e o churrasco de domingo varia de casa semanalmente. Que beleza! Não há nada mais revigorante que um novo amigo. Só não vale brigar na hora de ver quem comanda a churrasqueira.

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