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Sem título

Estou sonhando de novo. Dizem que sonhamos aproximadamente sete vezes por noite. Já fico feliz quando me lembro de um. Será que esquecerei deste? Antes que acabe, deixe eu prestar atenção... Espera um pouco! Este aqui é diferente; daqueles deliciosamente reais. Pessoas, cores, cheiros, sensações... Tudo mais saboroso que a própria realidade. De vez em quando temos esse prazer: um sonho tão bom que podemos chamá-lo sonho.


Vou parar de encanar, e embarcar de vez nesta experiência... Legal! É minha infância. Tenho uns oito anos e jogo bola na pracinha perto de casa. Estou me lembrando. Os garotos da vizinhança competiam em um torneio, no qual eu acabara de passar para a semifinal. Mas, por alguma razão, os acontecimentos deste dia não estão seguindo os rumos que minha memória jurava serem os certos. Eu não venci aquele jogo, não briguei com aquele cara, não fui o campeão! Tenho certeza!... Quero ir para outro lugar, e, imediatamente, estou. Posso me ver sentado em uma aula de geografia da sexta-série.

Nos minutos que se seguiam nesta maçante aula, todos os meus outros desejos iam se realizando. Um a um. Estava controlando meu sonho... coisas sumiam e reapareciam quando eu queria. Até o que as pessoas falavam dependia de minha vontade. Nunca senti tanto poder e medo ao mesmo tempo. Mas era bom, maravilhoso; o sonho que todos sonham em ter. E assim, eu seguia transformando todos os meus momentos, tornando-os perfeitos. Revivendo uma vida perfeita.

Aos poucos, todas as minhas lembranças fora
m se tornando plenas, no máximo da felicidade – adorei saber que algumas nem necessitavam de “ajustes”. Em algum tempo , os lugares e objetos não mais importavam. Só as pessoas. Logo, até o que elas diziam e como aparentavam também ia ficando insignificante. Tudo se transformava em energia ao meu redor, e os momentos cada vez melhores. Não que “melhor” ou “pior” importasse... Uma luz de amor e paz tomava conta de tudo, uma brisa gostosa no corpo quente... E, no momento em que a energia me cega por completo em sua luz, abro meus olhos: acabo de nascer outra vez.

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