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Ao som de death and taxes


Finalmente entendi. Entendi porque quase tudo que se faz – em termos artísticos – fala de amor. É só parar para pensar: poemas e músicas são barbadas. 99% do assunto é relacionamento amoroso. Ou é sobre o momento da conquista (paquera, primeira vez etc), ou fala do durante (ai como eu te amo, passo os dias esperando para te ver à noite), ou fala do fim do caso. Esse por sua vez, pode ser de quem deu o fora, e obviamente, também de quem levou o fora. Não preciso nem dizer que esse último é o recordista. E o amor não está só em poemas e músicas. Filmes, romances, quadros, todos esses também o expressam muitas e muitas vezes.


Afinal. Eu disse que entendi o porquê e vou explicar. Expressar o que se sente faz bem; um incrível bem. Nos momentos bons, o que você mais quer é que o mundo todo saiba que você ama. E artistas então, esses sentem (e sabem) que se alguém pode se aproximar de descrever um sentimento: são eles próprios. Isso explica porque tantos poemas falam do amor em si, e da sensação do próprio autor no momento em que ama. Conjecturas, observações e puras maluquices também. Nada mais doido que um quadro expressionista. E não é que alcança o objetivo? Munch que o diga.


E quanto à dor de um amor que acabou mal? O recordista do primeiro parágrafo, lembram? Nesse caso, a “necessidade” de expressar-se alcança um motivo quase épico. Falar sobre a dor é o primeiro passo para livrar-se dela. É uma forma de aceitação, e mais do que isso: é uma análise da situação. Hora em que todos os pontos são pensados e repensados. As razões pelas quais os rumos seguiram por onde seguiram vão sendo percebidos, e até compreendidos. Enfim. Faz um bem danado. Ajuda o nosso maior amigo dos momentos de dor. Ajuda o tempo.


E como eu tenho certeza disso? Até um tempo atrás não escrevia. Não tinha paciência, ou quem sabe, colhões para traduzir minhas idéias doidas em palavras. Não importa. Nem sequer vem ao caso... Desde que comecei a escrever, entendi o bem que isso faz. Falar do amor: me enriquece. Falar da dor: me fortalece.


Ah! E por qual motivo esses tópicos fazem tanto sucesso? Identificação. Afinal de contas, se tem duas coisas que nos faz “sermos-humanos”, elas são o amor e o sofrimento. Muito mais certos do que “morte e impostos”, pois são complementares além de tudo. Só ama quem sofre, assim como, só sofre quem ama. Mas isso fica para um próximo texto. Agora que eu comecei, não sei mais como parar.


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