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Encontros subjetivos




Eu a conheci primeiro, há muito tempo atrás, mas ela não se lembra. Ela me conheceu pouco tempo depois, mas isso eu não lembro. Nos reconhecemos em uma terceira oportunidade. O curioso é que ali já nos conhecíamos e mesmo assim era como se estivéssemos, finalmente, nos conhecendo. O instante foi mágico, rápido e demorado o suficiente. Era como se soubéssemos que aquele não era o momento, e que um gesto a mais ou uma palavra a menos não mudariam nada desta vez. Meus olhos brilhavam a certeza de que nos encontraríamos de novo, e de novo e de novo, quantas vezes fossem necessárias.


Entre esse terceiro encontro e o quarto que um dia, enfim, chegaria, um bom tempo se passou. Nele, houve momentos em que sequer me lembrava dela. Em tantos outros, a memória incomodava de tão nítida e presente. Nessas horas, a vontade que eu tinha era de bater na porta dela – seja lá onde ficasse, e gritar que o cara com que ela havia estado apenas duas vezes em sua inteira existência, por um tempo total de aproximadamente dez minutos, podia ser o homem da sua vida. Podia. Eu podia ter feito isso. (...) Conjecturas à parte, a insanidade momentânea logo dava lugar à realidade mundana e a calma antes vista em seus olhos refletia dentro de mim, na forma da tranqüilidade típica de toda espera cuja recompensa é garantida.


Quando finalmente nos encontramos pela quarta vez, não consigo me lembrar dos detalhes, minha sensação interior era a melhor possível. É isso. O que guardo dentro de mim é o estado de espírito que vivia. Estava naqueles dias em que até mesmo o vento breve que sopra de uma porta entreaberta escolhe você . É um dia em que tudo está do seu lado, as pessoas, as roupas, a luz, a música, as piadas, os gestos. Ao longe, eu a admirava; sem deixar de fazer o que quer que estivesse fazendo. Era com o canto do olho, como quem confere se a sobremesa continua no mesmo lugar enquanto ainda aproveita o jantar. Ela agia de forma idêntica e me olhava de volta. Sabíamos o que o outro sentia e esperávamos a ansiedade de uma das partes sair vitoriosa.


Depois só consigo me lembrar do momento em que abria os olhos ao seu lado. Resolvi fechá-los, e o que vi foram flashes tomando conta de mim, como um vídeo-clipe iniciado por algumas fotos, que passaram a se multiplicar ganhando velocidade, até se transformarem em filme. Som e imagem perfeitos. Cheiros e toques também. Saí antes que ela acordasse, colocando minha memória recém-adquirida em repetição sem fim.


Ao notar o que ficou após minha saída, ela sorri. E então, bem ali, inicia-se mais uma espera. A espera do próximo encontro.



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Comentários

  1. Gosto mais dos encontros quando ainda são subjetivos. Parece que quando passam a ter objetivos se perdem. As sensações dão lugares às cobranças e num piscar de olhos, aquela sobremesa foi devorada e vc mal sentir o sabor!

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  2. acho que, afinal, todos os encontros são um tanto subjetivos...
    e tudo é mais verdadeiro e bonito, exatamente assim, quando há um toque de imaginação, um toque de incerteza, um toque de platonismo, sei lá...

    Muito bom!

    **beijooo!

    P.S.: Fiquei curiosa pela parte cortada... = /

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  3. Anônimo7:21 AM

    Gosto muito de encontros subjetivos e inesperados!

    Bom te encontrar...

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  4. Anônimo7:00 AM

    Sem palavras...

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  5. Vim dar uma conferida no seu blog, nas coisas que escreve. Como tomei coragem há pouco de iniciar o meu quis dar uma olhadinha! Ainda tenho um pouco de vergonha de escrever, mas adorei o que li. Acho que é meio que isso, né? No fim são sempre encontros ... seja com quem for, ainda que com nós mesmos. Ainda assim,ficamos esperando o próximo... e quando teremos coragem de ir a esse encontro! São sempre subjetivos!

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  6. Anônimo5:14 PM

    putz, que susto. depois te conto, rs. será que há encontro sem subjetividade?

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  7. Oi! E vc ainda queria apagar este post!!
    Posso dizer o que todo mundo disse a respeito de encontros. Dos subjetivos. Mas isso todo mundo já disse! O que eu posso falar é... (droga! minha mente travou de novo) ler seu texto foi mágico, foi esperançoso, sensível, incrível. mas de alguma forma... =)
    Adorei o texto!
    Continue escrevendo.
    Te respondo em breve, estou lendo aqueles textos ainda... haha!!
    Um beijo.

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  8. a cada poukinhu q conehco ja admiro..
    lindo teu texto. Tantos dons q estou decobrindo de ti ... ja disse q repito teremos q ter mil oportunidades mais pra conversar e conseguir colocar o papo em dia.bjuss otima semana pra vc FE

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  9. Anônimo2:12 AM

    ammi laurie citizenship sciencee moblog practise rulesa ashirwad debra nicky exceed
    semelokertes marchimundui

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