Pular para o conteúdo principal

Paradoxo sem fim


Paixão é o que nos move. Quando a paixão vence, e o objeto da paixão por ela se apaixona, duas coisas podem acontecer: o fogo apaga, mantendo uma fina brasa em busca de novas paixões, ou o fogo cessa, e se materializa na forma sem forma mais linda que se tem notícia; se transforma em amor.


Amor é o que nos une. Quando o amor se espalha, e o fruto amado também ama, uma coisa pode acontecer: êxtase, paraíso, sublimação, arrebatamento, encanto.


O encanto vive a encantar, e do encantamento em si, vive-se a plenitude, por um tempo. Tempo que mina o paraíso, enquanto o encanto desaprende a encantar. Novidade sem nada de novo, e o encanto desencanta; Quando o tempo vence o encanto, duas coisas podem acontecer: o amor canta um novo encanto, ou se transforma em sua forma sem forma mais triste que se tem notícia; se transforma em dor.


A dor, de tanto doer, chega a arder. E de tanto arder, se transforma em brasa; uma fina brasa em busca de paixão. Novos ares encontrarão essa brasa, e quando dela novo fogo se acender, duas coisas podem acontecer.




Comentários

  1. vir-a-ser circular: talvez o mais perfeito dos paradoxos.

    ResponderExcluir
  2. Sendo o amor tão encantador, pode mesmo perder o encanto, pelo simples motivo de ser só?

    ResponderExcluir
  3. E quando nem mesmo o tempo é capaz de fazer o encanto desencantar?
    Uma única coisa pode acontecer...

    ResponderExcluir
  4. P.S.: Talvez este não seja um paradoxo sem fim.

    ResponderExcluir
  5. tudo se renova! ^^

    *busco novos ares então...*

    beijo

    ResponderExcluir
  6. "... o contrário também bem que pode acontecer..."
    Love you
    Bjos

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Era uma vez o que é Era uma vez um menino desengonçado. Que por pouco não chega ao primeiro aniversário; sobreviveu. Por vontade ou destino. (Aliás, que diferença faz?) Cresceu, crescia. E com ele, seus sonhos. Acordava de madrugada e dizia aos seus pais: “meu joelho tá doendo”. Ouvia sempre a mesma resposta: “sinal de que você está crescendo”. Voltava a dormir feliz, com dor, mas feliz. Sonhava grande, enorme, ganhando o mundo com seu sorriso gigante e abraço de elefante. Era uma vez um menino engraçado. Um garoto que ria, pegava errado no lápis, mas quase sempre acertava na palavra. Era quietinho e muito observador. Até os quinze era platéia solo de si mesmo. Ela adorava e ele se sentia à vontade. Disse que acertava na palavra? Mas só para quem ouvia. E ria. Era uma vez um menino calado. Era, porque deixou de ser. Deixou para trás o silêncio e conheceu o amor. Ou melhor: reconheceu. O amor que não se explica, aquele que apenas sente. O amor em si. Mes...
Podia se chamar vida Tem dias em que tudo acontece junto. Tem dias em que nada acontece. Tem dias em que a gente se sente mal. Tem dias em que a gente se sente. Tem dias em que dá saudade. Tem dias em que dá vontade. Tem dias em que nada pode. Tem dias em que tudo dá. Tem dias em que o tempo voa. Tem dias em que o tempo fecha. Tem dias em que o sono leva. Tem dias em que o pique vem. Tem dias em que se come muito. Tem dias em que nada desce. Tem dias em que se conhece o novo. Tem dias em que se repete o velho. Tem dias em que é preciso dar um passo pra trás. Tem dias em que é lindo dar três pra frente.
Madrugada Insônia de novo. Merda. Sei que já devem ser altas horas. Conheço a madrugada pela quase ausência de ruído nas ruas. Acendo a tela do celular. O horário é o mesmo de sempre: quatro e um. De novo? Será isso algum sinal do sobrenatural para um cético como eu? Existe muita coisa que você desconhece, reles mortal. Foda-se. Sempre me aconselharam a correr em caso de insônia. Eu não costumo correr nem de cachorro, quanto mais nas ruas, em plena madrugada. Mas depois de tantas noites acordando às quatro e um era melhor tentar algo diferente. (Se fico na cama, conheço bem o final). Logo ganho as ruas, vou num ritmo leve, preciso ajudar minha condição física a me levar para fora do bairro; ao menos. Depois da segunda grande avenida, começo a me surpreender: estou indo longe demais. Ao melhor estilo Forrest Gump, arrisco uma avenida maior, e vou ainda mais longe. Estou suado, mas não cansado. Corro, e corro mais um pouco. Venço uma grande ladeira, aproveito a descida para respirar. Nã...