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Declaração de amor.


Lá vou eu dissertar sobre a Califórnia outra vez. A Califórnia Brasileira, claro; bela e calorosa Ribeirão Preto. Dia a dia me apaixono mais por essa cidade. Tudo aqui tem um jeito próprio de ser, desde as inúmeras praças, tranqüilas avenidas, bares sempre lotados, pessoas e seu jeitinho de falar, enfim, tudo mesmo.

Os bares pegaram a moda da Terça em Dobro lançada pela AmBev há um tempo atrás, e ao contrário do que os botecos de São Paulo fizeram, aqui continuaram a promoção por conta do dono. E mais do que isso, pegou tanto que todo dia é dobro de alguma coisa em algum lugar. O problema vai ser o dobro de gente perdendo o dobro de carta. Ah, até o número de bafômetros disponíveis pela polícia dobrou: agora são dois!

Avenida Nove de Julho. A daqui ainda é de pedra. Aquelas pedras escuras e irregulares, ideais para quebrar saltos-altos. Foi a primeira via que deixou de ser de terra, mas também não quis saber do asfalto. Ainda bem, seu charme está aí e no canteiro central, cheio de árvores. Quase totalmente comercial, na Nove se encontra de tudo. Todos os bancos e muitas empresas, por exemplo, estão nela; é a Paulista ribeiraopretana. Mas esta aqui cruza com duas outras importantes avenidas. Entre elas, a Avenida Independência. Digamos que a esquina das duas é a nossa Ipiranga com a São João. Resumindo: imaginou a esquina mais famosa da cidade no meio da Paulista? É por isso que a Nove é a Nove. Alguma coisa acontece...

Chegou a hora de falar de gente. Estamos no interior, fato. Mas o sotaque quase não se vê. Ele é mais carregado em pessoas que são de cidades próximas, que moram ou trabalham em Ribeirão. Sertãozinho, Bonfim Paulista, Monte Alto e Batatais. Ou então, nas pessoas mais velhas. Estas ainda carregam nos erres e falam cantado, com a frase diminuindo de volume, até desaparecer, antes de acabar a última palavra.

Os filhinhos de papai folgados, que nós paulistamos intitulamos agro-boys, existem sim. Num número maior do que eu gostaria, mas por sorte não são maioria. Mas não quero falar deles. Quero falar de pessoas boas, alegres, que me receberam (e ainda recebem) tão bem. Gente divertida, animada, que não tem frescura, mas que gosta do bom gosto. Gente como eu. Gente como você. Gente inteligente o suficiente pra saber que a vida é o momento. E num palco como Ribeirão, todo momento pede para não passar em vão.




Comentários

  1. Anônimo11:35 AM

    Morando nessa cidade e vindo de sp tambem...pude me localizar em cada palavra eu estava dentro do texto!

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  2. Sorte de quem pode desfrutar da tranquilidade interiorana, com o dinamismo da capital.

    Tem sido insuportável morar aqui. Mas seria dificil viver numa cidadezinha apenas com o coreto e a igreja na praça.

    Ainda bem que existe luz no fim da Anhanguera!

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  3. Isso sem falar do rio Pardo, né!
    Amei o texto!
    beijo

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  4. Anônimo3:42 PM

    huuuuummm, esse texto fala muita verdade, mas vc esqueceu de tocar num ponto muito importante: os motoristas,putaqueopariu ribeirão pretano não sabe dirigir, que merda, tudo um bando de nó cego.
    Também me localizei no texto.
    Parabéns Brow, e segundona Original em dobro na cachaçaria velha,
    terça chopp em dobro na outra cachaçaria, quarta PINGUIM,mas ainda falta descobrir de Quinta e Sexta, porém esses 3 dias da semana não poderemos faltar em nenhum, quando descobrirmos os outros lugares do resto da semana, nossa semana será perfeita!

    abrs!

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Que lembrança gostosa essa a sua! Fui poucas vezes a Riberão Preto durante a minha infância, então não lembro exatamente de nome de rua, mas lembro da cidade como um todo. Aquele calor, aquelas pessoas... Lá era a "cidade grande" mais perto da minha,(1 hora de viagem) a que tinha Mc Donald's e shopping center...
    Lembrei das ruas não asfaltadas, dos erres carregados e dos filhinhos de papai do interior, tão presentes na minha cidade... Ah, São José do Rio Pardo, saudades!
    Obrigada por meu trazer lembranças quase esquecidas.

    Beijo

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