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Vai e vem



A fila estava enorme e o segurança irredutível. Sabrina tentou argumentar, chegou a apelar para seu charme feminino. Inútil. Ela já tinha feito sua tentativa, era a vez das pessoas de trás arriscarem e tirarem-na de lá. Já estava prestes a desistir quando reconheceu uma colega de faculdade lá dentro.


Feliz e risonha, Alessandra aproveitava seu drink e conversava efusivamente com um bonito rapaz. De rabo de olho percebeu que a confusão da entrada ganhara um movimento novo, virou-se e alguém lhe acenava como louca. Pediu licença ao rapaz e aproximou-se da cena.


- É ela, moço. Minha amiga. Me deixa entrar, fala pra ele, Alê. – decidida, Sabrina encarava ora o segurança ora Alessandra, que não dizia uma palavra, até que o grande homem de preto quebrou o silêncio com sua voz cavernosa:
- Você conhece ela? – Alessandra olhou bem nos olhos de Sabrina, que praticamente suplicava sem emitir som.
- Não. Não conheço não. – sublinhou cada sílaba proferida e sorriu com olhar de vitória para Sabrina, por sua vez, completamente desolada.


Alessandra, realizada, virou-se, e nem chegou a notar que Sabrina caía da escada, após um empurrão mais forte de uma garota que vinha atrás dela.

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Suas mãos tremiam no momento em que pousava o telefone no gancho. Jogou-se no chão e chorou copiosamente. Nunca sentira dor igual. Como era possível sofrer tanto? Como ele tinha sido capaz de dizer aquelas palavras? Como a mesma boca, que tantas carícias proferira, dizia aquelas atrocidades agora?


Quando as lágrimas secaram, ligou novamente e não foi atendido. “Pedro filho da puta!”. Revoltado, pegou o carro e seguiu à casa de seu amor. Por sorte conhecia aquele caminho de cor, já que as lágrimas o impediam de ver o caminho.


Esmurrou a porta até ser recebido; precisava ouvir tudo aquilo pessoalmente. Queria ver se Pedro tinha coragem. Já tinham terminado e voltado tantas vezes antes, por motivos até imperdoáveis. Após um longo e triste discurso, Pedro concluiu:


- ...“Cadu. Eu não te amo mais.”

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Acordou com aquela sensação de esquecimento. Conferiu mais de uma vez a bolsa, e tudo parecia em ordem. Mesmo assim, entrou no ônibus com a certeza de que esquecera algo. Chegando à faculdade, esqueceu-se de que talvez tivesse esquecido alguma coisa, cumprimentou seus amigos, conversou um pouco e logo se despediu. Era a única da turma que assistia às aulas de Literatura e não podia se atrasar.


Entrou na sala, e o que viu a fez sentir revirando-se de dentro pra fora. Alguns grupos de pessoas reunidas em cantos separados da sala, aquela leve confusão de decibéis, o professor passando de grupo em grupo recolhendo algum punhado de papéis. Ela tinha se esquecido do trabalho bi-mestral de Literatura, que por não ter grandes amigos na sala e simplesmente por não se importar com isso, havia resolvido fazer sozinha. O medo a esvaziava por dentro, mas decidiu tomar uma atitude de sobrevivência.


Correu os olhos pela sala, procurando algum grupo menor e que o professor ainda não tivesse passado. E encontrou um, com apenas três garotas. Uma delas, inclusive, sempre fora muito simpática. Seguiu naquela direção, certa que o favor seria atendido.


Assim que acabou sua súplica, prometendo recompensar as três numa próxima oportunidade e que se pegasse DP seu pai a tiraria da faculdade, encarou cada uma delas e parou seu olhar para a terceira – aquela com quem trocava rápidas palavras.


- Sinto muito, mas não posso ajudá-la – Alessandra mal acreditava no que escutava. E assim, atordoada, acompanhava sua colega com o olhar, enquanto esta entregava um trabalho com apenas três nomes ao professor, dentre eles lia-se "Sabrina".


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Chegou à balada impecável. Estava realmente mais esguio do que nunca. Sua calça elegante servia-lhe perfeitamente. Seus cabelos estavam no comprimento e rebeldia exatos. Sua pele corada, e seu sorriso de orelha a orelha encantava por onde passava.


Encontrou muitos amigos, ex-casos, ex-namorados, mas uma pessoa em especial, ele precisava encontrar. E eis que surge, trazendo uma cerveja em mãos, Pedro. Cumprimentaram-se e cada um seguiu para um canto da festa.


Lá pelas tantas, Cadu percebeu um rapaz muito bonito fitando-o. E respondeu com o olhar. Essa troca se tornou tão descarada que um amigo veio alertá-lo de quem se tratava.


- Cadu. Esse cara é o Tomás. Ele acabou de terminar um casinho com o Pedro, e parece que o Pedro ficou muito mal com isso. – as palavras do bom amigo surtiram efeito contrário, mas Cadu soube fingir bem:
- Ah, é? Não sabia.


Minutos depois, Cadu e Tomás agarravam-se loucamente no centro da pista de dança, para desespero de Pedro, que resolveu sair de lá, antes que alguém o visse chorando.

Comentários

  1. Anônimo10:38 AM

    É por essas e por outras que a gente tem que tomar cuidado, mto cuidado, com o que a gente faz...

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  2. Anônimo9:26 AM

    vale sempre lembrar que qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

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