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Plunct Plact Zum! Boa viagem.




Em três meses, devo ter feito essa viagem cinco vezes. Quatro horas e meia pra ir e outras quatro e meia pra voltar. Um total de quarenta e cinco horas sentado numa poltrona de ônibus, indo para São Paulo, ou voltando de lá. Resolvi então falar de um assunto curioso. Muitas vezes incômodo e pentelho, algumas outras, divertida e carinhosa, mas sempre, sempre presente: a pessoa da poltrona ao lado.

Quero prender o cinto de segurança, mas o camarada usou o meu por acidente. Até ele entender o que está acontecendo, já faz cara-feia e quase parte pra cima. Na parada obrigatória, quero descer. Mas advinha? O danado deitou e esticou a perna no apoio respectivo, e não ouve meu chamado discreto. Não vou gritar e acordar o ônibus todo. Terei que pular por cima. Bem devagar, estico a perna, apóio sem muita força no banco da frente e, com a outra mão, quase já alcanço o maleiro e... Pof! O cara acorda e pula de susto. Comigo (literalmente) em cima dele! Quase que eu caio no corredor e a situação é das mais constrangedoras. Precisa de mais detalhes?

Numa outra oportunidade, chego à minha janela (previamente comprada) atrasado. Um casal ocupa os dois bancos. Confiro o número. É esse mesmo. Eles fingem que não me viram, e eu sou obrigado a dizer que aquela poltrona é minha. Só então, a mulher, que ocupava a janela (a minha) pede-me o favor de deixá-los juntos. Aceito sem o menor problema, já passei por isso e sei como é importante e bacana viajar junto. Até aí tudo bem. Fui para frente, na janela que ela disse ser a que pertencia a eles. Três minutos depois, um senhor requisita meu lugar. A-há. Ela mentiu pra mim! O casal chegou mais atrasado que noiva em dúvida e conseguiu dois corredores pra viajar. Resultado: a única vez que eu comprei a volta junto com a ida, fiquei no corredor, ao lado de um senhor que roncava e ocupava quase os dois lugares. Depois dessa, só compro passagem na hora.

Essas histórias ainda são pouco perto de bafo, cheiro de sovaco ou aquele da coxinha que acabaram de trazer do Graal e resolveram comer dentro do ônibus. Teve uma em que ninguém sentou ao meu lado, que sorte. Mas na frente ficaram mãe e dois filhos pequenos (como, não me pergunte). E ao lado, um trio idêntico. As quatro crianças berraram, choraram, correram pelo ônibus e até sentaram na poltrona vazia ao meu lado, olhando-me com curiosidade. No fim, as duas mães viraram amigas e todos caíram no sono. Inclusive eu, com um sorriso no rosto e um dos meninos dormindo em meu ombro.


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