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Ética de Elite


Todo mundo conhece o filme Tropa de Elite, a nova coqueluche brasileira. Muitos assistiram de forma ilegal – assim como eu – e outros ouviram falar, ao menos. Além de ser dono de um realismo assustador, o filme se aventura em âmbitos de ideologia e moral. O estado repressor, a sociedade estereotipada, enfim, uma massa heterogênea que podemos chamar de Rio de Janeiro; no caso. Mas não vim aqui para falar de política, tampouco antropofagia (não me arriscaria nesses temas). O assunto é a ética.

Tenho escutado muita gente, me incluo no grupo, criticando o sistema e os playboys que fumam maconha. Curioso: não são esses críticos os mesmos que assistiram ao filme pirata? Se não me falha a memória, a pirataria provêm da mesma fonte do tráfico, e quando não, é crime do mesmo jeito. Bonito isso: vir com um discurso todo correto depois de um filme pirata.

Outro dia, uma amiga minha confidenciou-me que havia ‘comprado’ uma prova, de um funcionário da instituição onde enstuda. Detalhe para a matéria em questão: ética. Puta que pariu! Comprar a prova de ética é o mesmo que colocar cocô em água mineral.

Independente do filme ou prova, a ética é sempre algo subjetivo. É claro que existem regras e leis, mas grande parte do que é ético, ou não, pode (e deve) variar de indivíduo para indivíduo. Exemplos não faltam, por isso tantas discussões – saudáveis, espero eu – ocorrem entre pessoas conhecidas.

Outro ponto indireto e muito interessante que o filme trata é o fato de uma pessoa ser levada ao limite e decidir ser o melhor. A elite, propriamente dita. Espero sinceramente que o filme suscite esse desejo nas crianças e jovens. Não que todos queiram vestir a farda preta e subir os perigosos morros do Rio, mas que sejam a elite daquilo que decidirem ser.


Comentários

  1. não vi o filme (legal nem ilegalmente) e por enquanto não pretendo, muito burburinho.

    o que eu não gosto, e isso eu tenho ouvido muito, é desse maniqueísmo que o filme desperta nas pessoas: o bom e o mal; o policial e o traficante; quem financia o tráfico é o consumidor e por aí vai...

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  2. Anônimo1:10 PM

    interessantes suas colocações... só acho que a relação entre ética e subjetividade deve ser posta com cuidado. mas o fato é que ética não se ensina: há quem o seja e os que não o são. desse ponto de vista (já que ética não se ensina), a atitude da sua amiga, de repente, foi a ação mais ética que alguém já pôde realizar, rs.

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  3. Anônimo5:28 AM

    Ainda não tive a oportunidade de ver o filme, mas pretendo...Não só pelo marketing que, como é sua função, tem atiçado minha curiosidade, mas também por ser amante do cinema nacional e de temas polêmicos.
    Com relação a pirataria,acredito que o maior problema do Brasil seja a educação e esta só é adquirida através da informação. Portanto, porque não permitir que alguém que não possa pagar R$20,00 num cinema tenha a chance de assistir algo sobre o seu dia-a-dia e comece a refletir que talvez isso não seja tão natural quanto acredita ser? É óbvio que a maior parte das pessoas que comprou o filme pirata não faz parte dessa classe, mas é bom que estas tenham ao menos acesso a cultura, mesmo que ilegal.
    Parabéns pelos textos e por auxiliar as pessoas que entram aqui a refletirem mais sobre suas idéias!

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  4. Pois é, etica. Esse é um assunto bem complexo sobre o qual acho que se deve discutir com muito cuidado. (Gostei bastante da sua abordagem) Ser ou nao ser ético pode ser uma questao, mas e a possibilidade de desenvolvimento do indivíduo? Que o filme já é sucesso nao se discute mais. Agora, se que quem assite ao filme realmente para pra pensar no poder dessa maquina? E dito isso, o que vai ser feito a respeinto? Enfim, sugestoes de reflexoes... (so mais uma opiniao, acho q invertida, a primeira frase pode ficar mais interessante..)

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Ae, Fernando!

    Assisti o filme outro dia, aqui em Portugal. Cópia pirata, é claro, porque o filme ainda não chegou por aqui.

    Eu gostei bastante da crítica à idéia de que o criminoso é "vítima da sociedade" -- e que a polícia é um instrumento de opressão do "sistema". Nesse ponto, o filme acertou em cheio!

    O único problema é que, ao dar voz à polícia, o filme propaga a idéia (errônea) de que os usuários seriam cúmplices do crime. Essa é a visão da polícia, que deve cumprir a lei sem questionar. Mas, em alguns casos, a lei deveria ser questionada: não deveria haver crime, em primeiro lugar.

    Da mesma forma com relação à "pirataria": eu não posso concordar que assistir uma cópia não autorizada de um filme seja de alguma forma parecido com o ato de atacar e saquear um navio.

    Quando você rouba um bem material, alguém perde um produto. Mas quando você copia um filme (ou uma música), não há perda do original.

    O produtor nem poderia argumentar que perdeu receita, pois não tem como provar que você assistiria ao filme. Na maioria das vezes é provável que você não iria.

    Enfim, são questões complicadas, que envolvem mudanças de visão da sociedade -- e é isso que eu entendo como "ética".

    Um grande abraço, pá! :-)

    Nelson

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