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Sonho de criança

Ontem postei uma frase que me veio à cabeça, de repente. Daquelas que surgem de uma conversa despretensiosa, às cinco da tarde de um dia chuvoso. Duas horas depois, a maior tragédia da aviação brasileira acontecia.

Na hora em que recebi a notícia, não me dei conta de muita coisa. Até porque, o choque e a preocupação tomaram conta. Fui visitar a casa da minha cunhada e passei bons momentos. Brinquei com meu sobrinho no durante muito tempo; tempo esse em que assistíamos às cenas do desenrolar do acidente pela televisão. Contraste. Tanta dor e escuridão aos meus olhos. Tanta vida e luz em minhas mãos.

Muita gente jovem estava naquele avião. Não apenas jovens fisicamente, mas jovens de alma. Gente que acreditava na máxima que inicia meu post de ontem. “Nunca é tarde para correr atrás dos seus sonhos.”. Pessoas que guardavam dezenas de sonhos em uma gaveta especial, dentro do coração, esperando a hora certa. Todos eles adorariam uma segunda chance de abrir essa gaveta. Ou de poder fazer isso antes do acidente.

É claro que uma fatalidade dessas não ocorre com todo mundo, mas outros tipos de “fatalidades” podem acontecer. Fatalidade no sentido de final. Interrupção. O mundo todo está suscetível a perder tudo (ou algo que valha tanto assim) de uma hora para outra. Assim como podem ter a chance de recuperar.

Os sonhos podem esperar? Talvez. Mas tenho convicção de que nós, as pessoas que sonham, não podemos. Não devemos. Quanto antes corrermos atrás deles, melhor. Se conseguirmos ser mais velozes que a (inevitável) fatalidade, nós vencemos.

Sonho com tanta coisa que, às vezes, duvido que estou dormindo. Talvez esteja acordado enfim. Vou até o berço e vejo João sonhando. Com o que será que sonha? Não importa. Estou sonhando com ele.

Ainda vejo o mundo com olhos de uma criança. E mesmo acordado, vou atrás dos meus sonhos. “Quanto antes, melhor.”

Comentários

  1. Anônimo9:42 PM

    só se cuide pra não chegar antes da hora.
    (imagens espantosamente muito bonitas neste texto, rs.)

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