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Ar, doce ar.


Não é a toa que os cheiros são as lembranças mais fortes. Mais que imagens, sons etc. É como se a memória olfativa estivesse no coração de milhares de ligações nervosas. Basta acionar aquele mínimo ponto e um zilhão de coisas aparecem, de repente, na sua frente. Épocas, roupas, lugares, pessoas, e o mais importante: sensações. Experimente cheirar um CK One e feche os olhos. Imediatamente você estará de Levis 501 e new balance 1600, pronto pra matinê.


Outro dia me deparei com um action figure super moderno recém-saído da caixa, e logo aquele cheirinho de plástico novo fez renascer em mim toda a minha infância, transformando-o num simples bonequinho. Lembrei-me de tardes inteiras montando Lego, falando sozinho e imaginando mundos gigantescos que cabiam e sobravam na minha cama de solteiro. Senti a alegria descompromissada de quem tem como maior responsabilidade terminar a lição de casa. Se deu saudade? Ô.


Perfumes, sabonetes, cremes, xampus, todos podem estar facilmente associados a pessoas. É comum aquele perfume te lembrar alguém. Você pode até não identificar exatamente quem, mas a certeza de que você já sentiu aroma igual é impressionante. Seria como um Déjà vu de cheiros. E nesse caso, não deixa dúvida. Pior (ou melhor) do que os cosméticos que as pessoas usam, só mesmo os seus cheiros originais. Os tais feromônios, cada qual com seu cada qual. Deve ser por isso que o mesmo perfume possui uma mínima variação quando em outro corpo. Indelével variação. Você pode se esquecer dos traços daquela pessoa – o que mais cedo ou mais tarde, acontece – mas deixa só você sentir de novo aquele cheirinho que ficava na roupa amarrotada pra ver o que acontece.


Cheiro de tinta me lembra reforma, de incenso, meu pai, de gasolina, viagem, de carro novo, comemoração, de cigarro, balada, sabonete, banho e por aí vai. Cheiros acabam lembrando outros cheiros, e o emaranhado de lembranças emotivas, coloridas, fantásticas, envolve todos os cinco sentidos. Aliás, acho que os ultrapassa. Se existem o sexto ou sétimo, provavelmente têm a ver com essa coisa que invade a nossa mente sem pedir licença, mistura idéias sem cerimônia e nos faz sentir tanto e tão completamente que a gente nem entende o que de fato sente. Lembra? Tem tudo a ver com cheiros.

Comentários

  1. Ohhh Cheroso que incrível definição sobre o cheiro!
    beijoo

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  2. Cheiro de post novo a gente sente na hora....

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. rafa gobara5:46 AM

    fefe, texto sinestésico que me fez lembrar do cheiro de nossas conversas da tarde. geralmente marlboro misturado com free de menta e perfumes da rua joão ramalho... olha só, já estou saudositas por antecipação...

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  5. sinto cheiro de fefe no ar... !!! rs adoooooro teus textos, me faz sentir cheiro de inspiração, arte e sentimento.. ! rs to com sdd de vc beijo

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  6. aposto que essa inspiração toda veio da aula do munish!

    vc esqueceu do cheiro de pum embaixo do cobertor! hahahahauheae!
    ai fefê, adoro ler oq vc escreve, do jeito q vc escreve!
    beijo, querido.

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  7. Anônimo7:58 AM

    Seu cheiro é inconfundível, reconheço até de olhos bem fechados.

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  8. O mesmo cheiro, em pessoas diferentes, geram sensações diferentes...mas ainda assim, é o maior responsável por elas.

    Sensacional.

    Bjs

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