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São Paulo, 5 de Maio de 2009.




Oi futura,



Prefiro chamá-la assim, porque desconheço o destino desta carta. Já a origem, posso afirmar que trata-se de uma vontade louca e sem sentido. Vontade em dizer algumas palavras que passeiam por mim, desde não sei exatamente quando. Desde o momento em que te reconheci. O sentido não é lógico, claro, é daqueles que não merece ser analisado. Sentido pra ser vivido, experimentado, arriscado, sentido; apenas.



Não. Eu não diria que se trata de uma carta de amor. A experiência diz que não é assim, de repente. Não o amor que se constrói, que se alimenta do amor crescente daquele que se ama. Como dois pequenos big-bens, chocando-se um com o outro, encontrando-se e reencontrando-se na ansiedade paciente do infinito. (Quem melhor do que o amor para falar de paradoxo). Enfim, falo do que pode ser, através do pano de fundo daquilo que já é.



Que palavras são essas que persistem tanto sem um porquê? Curiosidade, como é de se imaginar; Cumplicidade e intimidade. Coloco-as juntas para não confundir com os significados que podem ter separadas; Carinho, porque esse já existe; Loucura, porque é muito mais do que o motivo desta carta; E paixão, por ser o sabor que as palavras anteriores mais desejam.


As demais derivam destas que falei. Junte-as à imaginação e terá milhares de possibilidades, impossíveis até. Mas quais serão? Ela, a resposta, vem aí. Rápida ou lentamente, tudo ou nada. Pode ser o que quiser, pode acabar nas entrelinhas deste fragmento. A magia é justamente não saber o que será.

Termino sem conclusão – eu avisei. Termino, porque o sono está me vencendo. Aliás, prometo tentar sonhar com você, coisa que ainda não aconteceu. Não que eu me lembre, não com os olhos fechados. Prometo te encontrar. E quando isso acontecer, prometo te abraçar. Prometo tantas coisas, fazer acontecer, quiçá. Eu prometo. Eu fico por aqui. E você, cadê?


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Comentários

  1. Correndo o risco de parecer egoísta, se eu tivesse esse tipo de resposta, teria dado a mim mesma!

    Delicado sem viadice e emocionante sem ser clichê e sem tocar Elvis Costello no final. Beijos

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  2. "E você cadê?"
    ...Falta.
    Não creio estar certa em dizer que virá. Amor já há, a partir do momento em que se busca, o objeto não participa tão efetivamente assim... às vezes o que "falta" é permitir-se.
    Obrigada pelos insights que me concedeu!
    Espero que agora que passei a permitir-me mais portas se abram...

    *Um beijo!

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  3. "Faço longas cartas pra ninguém..."

    O título diz tudo.
    Não há lugar melhor para uma carta sem destino.

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  4. Heloisa emy11:53 AM

    perfeito! sensivel, romantico, esperançoso... aiai!! adorei, rs.

    beijo

    ps.: pronto! escrevi e postei!

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  5. e que ponto de vista seria este? fiquei curiosa, rs...

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