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Memória curta

- Mas você vai hoje?
- Claro... não tem porquê ficar.
- Passa mais essa noite. Amanhã cedo você vai.
- Não, prefiro ir hoje mesmo.
- Tudo bem. Já sabe pra onde vai?
- Não, qualquer coisa durmo num hotel.
- Bobagem...
- Você viu meu DVD do Brilho Eterno?
- Acho que a gente emprestou pro Pedro. Não foi?
- É mesmo. Depois eu pego então.
- Olha, esse edredom é seu.
- Tô levando o outro, e você não tem nenhum.
- Eu passo numa lavanderia e te devolvo depois.
- Não precisa. Fica.
- Fica você.
- Já disse que tô indo.
- Olha que eu não vou pedir de novo.
- Tchau, André.


********************************************


- Você vai ficar quieto o jantar inteiro?
- Pra não falar merda, prefiro não falar nada.
- Como você é estúpido.
- Tá vendo? Você devia ter feito o mesmo.
- Infelizmente eu não tenho doze anos e prefiro resolver as coisas.
- Resolver o quê?
- Você só pode estar brincando.
- Eu não vejo motivo pra essa conversa. Eu tive um dia de merda, você também. A gente discutiu e pronto. Agora a gente come, dorme e amanhã está tudo bem.
- Só se for no seu mundo idiota.
- Ei, aonde você vai? Camila?


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- Essa cadeira está ocupada?
- Ainda não...
- Ótimo. Sabe que o seu sorriso devia ser proibido?
- Não... Por quê?
- Porque é uma covardia! Perto do seu, os outros parecem choro,
resignação.
- Que exagero, meu Deus.
- Xiu... Não fala nada: é só sorrir.
- Nossa. Você é doido.
- Tchau pra você também, viu? A gente se vê numa próxima? ... Garota?!


********************************************


- Fecha os olhos.
- Por quê?
- Fecha, vai. É um presente.
- Tá bom... O que é?
- Calma. Se você adivinhar, eu pego.
- Como, doido?
- Você vai adivinhar, tenho certeza.
- Hmm... é um CD?
- Quase.
- Um DVD.
- Isso! Agora vem a parte fácil. Qual?
- Ah, eu não acredito que é o... mas você disse que...
- Esquece o que eu disse. Só sorri.
- Eu sempre caio nessa, né?
- Não agüento o seu sorriso. Fico bobo. Péra que vou eu trazer.
- Eu sempre acho fofo. Vem logo. Posso olhar?


********************************************


- Ei, acorda. Acorda.
- Hmm. Que foi?
- Nada. Só queria dizer que te amo.
- Assim, do nada? De madrugada?
- Acabei de lembrar que não falei durante o dia.
- Eu também te amo, linda.
- Pra sempre?
- Sim, pra sempre.
- Não gostou que te acordei. Por que levantou?
- Vou beber água e volto.
- Volta mesmo?
- Eu sempre volto.


Comentários

  1. A mente pode até ficar sem lembrança.
    Mas o sentimento fica...
    Pra sempre.

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  2. Anônimo6:02 PM

    E-S-P-E-T-A-C-U-L-A-R

    ResponderExcluir
  3. Posso dizer que eu preciso ler de novo?
    Ou será que eu preciso assistir Brilho Eterno?
    huahuahuahua...
    (Acho que os dois!)
    De qualqer forma, é lindo, realmente lindo!
    De uma sensibilidade inacreditável!

    ResponderExcluir
  4. já pensou em escrever um roteiro? alguns posts dariam belos filmes!

    Parabéns, como sempre fantástico!

    Beijos

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  5. Anônimo10:42 AM

    Teatro 100%. Uma peça assim seria genial. Quero muito ver no palco. Adorei! Beijos!

    ResponderExcluir
  6. sensível! perfeito! incrível! sem palavras... adorei!

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