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O gordinho mais simpático da Tijuca



Sempre ouvi falar que Tim Maia era um porra-loca de marca maior. Drogado quase sempre, reclamão nos shows, isso quando ele cumpria a agenda. Bom, agora que terminei Vale Tudo. O som e a fúria de Tim Maia, posso afirmar: ele é tudo isso e mais um monte.


Sebastião Rodrigues Maia era nada mais nada menos que o décimo oitavo filho de Altivo e Maria Imaculada Maia. Detalhe: o casal teve dezenove rebentos. Coincidentemente ou não, eram donos de uma pousada – só os moradores já lotavam as mesas nos horários das refeições. E aí começa uma importante característica de Tim: o apetite. Seu pai cozinhava como poucos, e a pobre Maria Imaculada não conseguia entender como um garoto de doze anos podia comer cinco bifes.


Na infância, era amigo de Erasmo Carlos e entregava as marmitas caprichadas de seu pai, que garantia uma renda extra. (As marmitas sempre chegavam mais leves do que saíam.) Anos depois, cansado e gordo, resolveu ir para os Estados Unidos, com apenas dez dólares no bolso. Eu paro por aqui, estou dando uma de Nelson Motta e nunca chegaria na qualidade do livro e estamos num blog; ninguém tem saco pra isso. O que quero dizer é que Tim Maia era mais do que maluco, era de outro planeta.


Suas músicas, muitas vezes com letras incrivelmente simples, eram sucessos estrondosos. Os arranjos e a banda (famosa Vitória Régia), estes sim, eram pra lá de rebuscados. Como ele próprio descrevia, seu som possuía duas vertentes: mela-cueca e bate-sovaco – Azul da cor do mar e Vale tudo, só pra ilustrar. Houve também o período da Cultura Racional, quando o doido ficou mais doido ainda e aderiu a uma seita que pregava a energia racional, entre outras doideiras, como prepararmos a terra para a vinda dos extra-terrestres. Guiné Bissau, Moçambique e Angola é dessa época. Mesmo sem ninguém entender nada do Racional Superior, a música foi sucesso daqui à África.


O mais legal da história desse monstro da Mpb é talvez a liberdade pura com que vivia. Idi Ego em pessoa. Fazia tudo que queria, quando queria e como queria. É claro que muita gente odiava e causava muitos problemas, mas por outro lado, era autêntico e amigo de verdade. Entre os bauretes, misto-quentes e triathlons, havia amor. Não queria dinheiro, não se importava com isso. Morreu praticamente falido, inclusive. Ele só queria amar. E após fechar a última página, garanto: amou.

Comentários

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Muita gente perde tempo se preocupando em receita de sucesso....sorriso, melodia boa para dançar, tema- amor poético ou vulgar e principalmente, agradar a platéia. Às vezes até conseguem, mas quase sempre, a fama dura pouco mais de 15 minutos.
    Tim Maia ria pouco, falava menos ainda e quase não ia aos seus shows.
    Mas está aí, tocando nas rádios e festas, dando o seu recado..Ah..se o mundo inteiro pudesse ouvi-lo!

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  3. " Vale, vale tudo
    Vale, vale tudo
    Vale o que vier, vale o que quiser
    Só não vale dançar homem com homem
    Nem, mulher com mulher, o resto vale"

    É... se o Tim tivesse aqui pra ver a parada gay ele ia rever a letra da musica, né...

    BEIJOS

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  4. adorei a sua pequena homenagem a ele!
    ele era único, ousado talvez... mas cantava muito, mas muito bem mesmo. uma pena perdemos uma grande voz dessa.(eu lembro do dia de sua morte =/)
    as boas vozes estão indo e quase nenhuma está chegando, infelizmente!
    beijo ^^

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