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Mercado social


Na entrada de um deles, o que se é granito, grandiosidade, homens de terno, e um deles – este, de uniforme – empunhando uma arma; ainda presa à cintura, devo frisar. No segundo: , entulho, obras inacabadas (talvez destruídas), homens de roupa rasgada etc. Não vi ninguém empunhando arma alguma.


Antes que eu me perca e vocês também, vou esclarecer. O primeiro em questão é o Cidade Jardim Shopping: o mais novo reduto de compras de luxo, que tanto cresce em nosso país. E o segundo trata-se do Mercado Municipal de Pinheiros, no Largo da Batatareduto de camelôs, que sempre cresceu no nosso país.


Começo a caminhar por eles: Emporio Armani, Enoteca Fasano, Louis Vuitton, Reinaldo Lourenço, Venda do Tião, Carlos Carnes, Almeida & Almeida etc. Bom, no que diz respeito à mostrar proximidade com o cliente, o mercadão dá de dez. Os nomes do Cidade Jardim me passaram a impressão de que um laser me derreteria assim que eu cruzasse à entrada. no segundo, provei azeitona temperada, brinquei com a senhorinha japonesa e levei amendoim doce comigo. Um enorme pacote de amendoim doce por apenas R$5,00. Curiosamente o mesmo valor de uma truffa minúscula – uns 2cm de diâmetro – da “doçaria dos ricos”: Pati Piva. Não conhecia até ontem e garanto: vale a pena, viu? É um dos melhores doces que comi, e precisa ser rico se você quiser levar um pacote.


Numa área ao ar livre do mercadão, uma curiosidade: animais vivos. Porcos e aves, em gaiolas pouco limpas, prontos para virarem refeição à moda antiga. E em qualquer área do Cidade Jardim, várias peruas e muitos frangotes prontos para virarem comida à moda de sempre.


Por incrível que pareça, quando comecei esse texto, tinha a intenção (um pouco atépretensão política’) de ilustrar o paralelo brasileiro de classes. Queria dizer que apesar de estarmos tirando muita gente da miséria e permitindo que eles sejam clientes do mercadão, em contrapartida, nunca vi a classe AAAA++++ crescer tanto, em tão pouco tempo. Em cima do shopping, estão em finalização as obras de seis prédios residenciais. E o preço do apartamento mais barato é oito milhões de reais. Sete, se pagar à vista. Provavelmente mais dinheiro que o faturamento anual do mercado de Pinheiros.


Mas, depois de tantas coincidências, acabei concluindo que o primeiro e o segundo são praticamente iguais. Todas as regras de marketing, sociais, valores hierárquicos, desrespeito, bom-humor, eu, está tudo ali; nos dois. A diferença, como sempre, é o preço.






Comentários

  1. Muito bom o paralelo que você faz entre os os "dois mundos", e incrível é descobrir ao terminar de ler que eles não são tão diferentes assim... só um pequeno detalhe os separam! Detalhes estes, que acabam por fazer toda diferença e tornar um mundo em dois.

    adorei!

    Um beijo

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  2. ... E por outro lado assusta...

    Ver como a desigualdade cresce no país!

    Ótima crítica!

    **beijos!

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  3. Anônimo5:20 AM

    Cada um no seu cada um...e a mudança de lado vem como consequência do aumento (ou perda total) de salário!

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  4. Anônimo5:44 PM

    Ótimo texto, alguém com conclusões inteligentes sem encher o saco com blá blá blá político fajuto, pq no fundo todo mundo que ser rico rs
    Só um parênteses, Pati Piva é bom sim, mas não tudo isso, vai... E, chocolacólatra assumida, não faz jus ao preço de todos os artigos... rsrs
    Beijoks!

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