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A vida não é filme, você não entendeu.


Mas bem que tem trilha sonora e muitos momentos de clímax. Podemos até classificar a vida na divisão do teatro clássico: tragédia ou comédia. Como nada, nunca, é cem por cento uma coisa só, temos que fazer a média e traçar o gráfico; e é claro, curtir a trilha. Isso é o mais gostoso. Sempre diz muito sobre o que a gente vive. Ou você acha que uma música mexe com você, numa determinada época, por pura coincidência? Aliás, coincidência existe?


Chove chuva, chove sem parar. Sonoplastia ideal para um momento pensativo, devorar um livro de serial killer, brigadeiro quente direto da panela, filminho (com pipoca) abraçadinho embaixo do edredom, uma partida de baralho usando aquele moletom antigo que só você gosta, e como não poderia esquecer aquilo que mais combina com os pingos que cismam em ensaiar sua melodia no telhado: dormir. Igual a um anjo... O sono dos justos!


Só liguei, porque te amo. I Just called to say I love you. (Ministro me perdoe, a versão ianque é mais charmosa). Elegi esta dentre aproximadamente um bilhão de músicas românticas por um único motivo; nela reside a razão mais pura para alguém querer estar junto de quem ama: o simples fato de amar. Não há reviravoltas, nomes escritos na areia, tapas e beijos, nada disso. Deu vontade de ligar, de ouvir sua voz, só porque te amo. Precisa mais? (...) Como nenhuma operadora de celular ainda não usou isso? Olha só, Dia dos Namorados está aí. Quem sabe?


Trocando em miúdos, a vida pode não ser filme, mas tem hora que é como se fosse. E de um jeito que projetor nenhum consegue reproduzir. Você se torna o expectador que vivencia, que experimenta. Se a cena é triste, que pena. Faz chorar por fora e machuca por dentro. E há momentos em que gente parece até querer que o drama aumente. Coldplay no talo e o pensamento, como um editor, remói as memórias mais tristes e as coloca numa seqüência pra lá de dolorosa. Um velho professor costumava dizer: “Não há tal coisa chamada ‘fundo do poço’”. As coisas não vão mudar, se você deixar que o editor prossiga em sua triste decupagem.


Aquele ponto em que – a partir dali – tudo começa a melhorar, o tal “fundo do poço”, só existe quando a gente decide parar de cair. É aí que você muda de estação e procura Lulu Santos ou Jorge Ben, sintonizando alegria e buscando bom humor para a sua vida. Pro dia nascer feliz é preciso deixar o céu se abrir, ver aquele azul brilhante aparecer. Deixar o sol quente brincar com a brisa fria, só pra ver quem arrepia mais a pele nua e macia. O sorriso é de criança, mas o coração já sabe o que esperar.


Tristeza não tem fim? Ô se tem.












Comentários

  1. O mais impressionante disso tudo é que o fato da música traduzir o que se sente, significa que, de alguma forma, várias pessoas vivem a mesma situação, ainda que nem se conheçam...

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  2. mas o lulu santos tem tb "apenas mais uma de amor"... e lembra uma ligação pra rádio, uns 16 anos atrás...

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