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Crônicas de um novo lar - texto 1



Garota, eu fui pra Califórnia


Finalmente o primeiro texto sobre Ribeirão Preto. Estando a 400km de São Paulo, a viagem leva três horas, três horas e meia. Depende do carro, do clima e da burrice do motorista que além de arriscar a vida, periga em ser multado de dez em dez minutos. De ônibus, demora-se uma hora a mais; com direito a parada.

Ribeirão é conhecida como a Califórnia Brasileira, por algum motivo que ainda não soube desvendar. Nunca estive no oeste norte-americano e é a minha primeira vez por aqui. Já ouvi falar que, em Los Angeles, o verão também castiga, mas lá existe o litoral do Pacífico para refrescar. Já Ribeirão Preto fica devendo até em vento.

A cidade é maior do que eu imaginava e tem tudo que São Paulo tem. A única exceção que ainda não vi se chama Burguer King. E é claro, também não tem estresse, filas e trânsito. Ah, o trânsito! É incrível morar ‘longe’ do trabalho e levar infinitos quinze minutos para ir de um ao outro. Quando disse uma vez onde morava, me responderam que era o mesmo que viver em Interlagos e trabalhar em Santana. Meu Deus! Já imaginou?

Inclusive, a cidade é um grande pólo cultural do interior. Teatros, SESC, Sesi, cinemas, museus, exposições. Sempre por um preço bem convidativo; o cinema, por exemplo, multiplex UCI, cobra R$ 8,00 a entrada inteira. Shows com artistas de nome também não faltam. No SESC, é possível assistir um espetáculo por uns quatro reais, também sem carteirinha. Tanta efervescência cultural se deve ao elevado nível social da cidade e ao imenso número de universidades, suponho eu.

Não estou querendo dizer que é tão rico em opções de lazer e cultura como Sampa, mas é muito melhor do que eu imaginava. Já fui ao teatro aqui, em quinze dias, o mesmo que em São Paulo ano passado. Está certo que três vezes num ano não é parâmetro para um cidadão paulistano, mas espero ter aprendido a lição. Se tudo correr como estou planejando, em breve estarei de volta ao palco. Quem sabe...

Quanto aos bares, amigos, garotas, trabalho, pingüim, cotidiano, experiências morando sozinho, enfim, fica tudo para depois; doses homeopáticas entre um texto e outro. Só posso adiantar que tenho me surpreendido comigo mesmo. É difícil mudar os hábitos da água pro vinho. Ou, do vinho pra água.

Cada dia que passa, as coisas mudam, eu aprendo e “apanho” um monte, me dou bem, me dou mal, a saudade apertando e eu, aos trancos e barrancos, vou levando. Ah, mas se tem uma coisa com a qual eu nunca vou me acostumar, é o preço da gasolina. Por que cargas d’água uma cidade, cheia de usinas, vizinha da maior reserva da Petrobrás e referência nas pesquisas do biodiesel, pode cobrar, por um mísero litrinho de gasosa, o absurdo de R$ 2,60?!





Comentários

  1. Anônimo7:54 AM

    No novo tempo, apesar dos castigos,
    você está crescido, está mais
    vivo e apesar dos perigos- da força mais bruta e da noite que assusta- você está na luta pra sobreviver...

    Parabéns pelas conquistas e boa sorte nas lutas, que certamente serão vencidas.

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