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Eterno

Esquecera a persiana aberta na noite anterior, e agora pagava o preço. Estava sendo acordado pelos primeiros feixes do sol da manhã. Não era tão ruim assim, pensou. Afinal, havia muito o que fazer. Levantou-se com dificuldade, uma vez que suas articulações não recebiam óleo há algumas horas, e preparou-se para sair. Lubrificou cada dobra cuidadosamente e ajeitou seu colar em formato de coração. Ele pulsava vivamente em cor vermelha, bem no meio do peito de metal.

Desceu a rua com tudo planejado na cachola. Precisava apenas comprar as flores e mandar entregar no mesmo local de sempre: aquele banquinho do parque. E para a mesma pessoa de sempre: aquela menina linda que parecia saída de um conto de fadas. É certo que as tentativas anteriores não funcionaram, mas flores funcionariam.

Comprou um buquê de rosas. Vermelhas, mas rosas – garantiu o florista. Foi até o parque e colocou-se em uma posição na qual podia vê-la e ser visto por ela. Assim que a menina recebeu as flores, ficou encantada. Tal encantamento encheu-o de alegria. O coração do colar passou a vibrar intensamente e de uma cor cada vez mais intensa.

A menina passeou os olhos pela praça, procurando o responsável por tal gracejo. Mesmo avistando a direção certa, seu olhar seguiu e parou em outro. Um qualquer que nunca havia feito nada por ela. Sorriu para ele e seguiram de braços dados.

Assistir a tal cena, fez com que o coração de metal parasse de pulsar, e sua cor mudou para um cinza levemente róseo. O home de lata começou a andar sem direção, sem vontade, sem motivo. Lágrimas não saíam, pois não as tinha, mas a dor era a pior que já sentira. Distraidamente atravessou a rua e foi atingido em cheio por um caminhão em alta velocidade. Pedaços de metal foram jogados para todos os lados. Era o seu fim.

(...)

O dono do caminhão juntou todos os pedaços que encontrou. Dias depois, transformou-os em uma linda bicicleta.

(...)

Já sem vida, um coração de metal fora encontrado depois pelo dono da floricultura; ele o pendurou junto às flores, como um objeto de decoração que chamasse a atenção para suas lindas rosas (vermelhas).

(...)

Um dia, olhando para uma vitrine, aquela doce menina - que parecia saída de um conto de fadas - apaixonou-se por uma bicicleta de metal. Não sabia por que não conseguira tirar os olhos dela, até que decidiu comprá-la.

Tempos depois, passou em frente à uma floricultura, feliz e sorridente em sua bicicleta. Na mesma hora, o florista notou: seu enfeite de coração começara a pulsar e a brilhar, em um vermelho único, de fazer inveja às rosas.



Comentários

  1. Anônimo12:45 PM

    depois de um começo afetado demais para o meu gosto, quero dizer, muito melado, vem a grande surpresa: genial! Muito bom, muito bonito, muito verdadeiro. E como é difícil a verdade encontrar um final feliz...

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  2. que bom ter tempo pra ficar parada, deixando a mão escorregar no rosto, tomando café com leite e lendo seu blog. Se eu não estivesse em meio ao trabalho, e com a sufocante impossibilidade de acender um cigarro, diria que estes foram os quinze minutos mais gostosos do meu dia, que ainda nem começou!
    Muito bom Fefe, todos os textos que ainda não tinha lido, muito bom!
    tão bom que estou quase fazendo do meu comentário um texto... Te vejo hoje a noite para a nossa gelada de sempre!

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